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O telemóvel pode ser um grande aliado na aprendizagem
Mário Santos considera-se um cidadão do mundo que escolheu Santo Estêvão para morar

O telemóvel pode ser um grande aliado na aprendizagem

Mário Santos tem 40 anos e é director do Agrupamento de Escolas de Benavente.

Edição de 12.07.2018 | Identidade Profissional

É um homem que cresceu no campo a apanhar fruta e a fazer biscates nas obras. Assim que conseguiu, meteu pés ao caminho para se formar na área que é a sua grande paixão: a educação física. Mário Santos é um professor que fala sem tabus da profissão.

O telemóvel, quando bem usado, pode ser um grande aliado dos alunos na aprendizagem e até na sala de aulas pode fazer a diferença pela positiva. A opinião é de Mário Santos, professor e actual director do Agrupamento de Escolas de Benavente, que acredita que os alunos de hoje “não são assim tão diferentes” dos alunos de há 30 ou 40 anos.
“Hoje aprende-se de formas diferentes, não se pode ensinar da mesma maneira porque a escola já não é a única fonte de informação que foi durante décadas. Num smartphone há toda a informação do mundo. A escola é um óptimo sítio onde os alunos se encontram, convivem e a aprendizagem acontece. Como trabalhar toda a informação a que eles têm acesso, como estruturá-la, esse é que é o desafio da escola”, explica.
O professor acredita que a internet “tem de existir dentro das escolas” e que não aproveitar o mini-computador que cada aluno traz no bolso seria um desperdício. “Os telemóveis são uma óptima ferramenta de trabalho. Se calhar faz todo o sentido o telemóvel estar dentro da sala de aula, para o trabalho da aula naquele momento, obviamente. Podem e devem ser utilizados. Mas tem de haver controlo e sobretudo ensinar os nossos alunos a perceberem de que forma utilizar o telemóvel e quando. É uma ferramenta, não é um vilão nem um herói”, conta.
Mário Santos tem 40 anos, é professor de educação física e dirige, juntamente com a sua equipa, um agrupamento com mais de dois mil alunos, do pré-escolar ao secundário, passando pelo ensino profissional e regular. Nasceu em Lisboa, cresceu em Odivelas e considera-se um cidadão do mundo. Vive em Santo Estêvão, Benavente, desde 2003.
Os seus primeiros trabalhos foram na agricultura e nas obras. “Os meus primeiros trabalhos mais a sério foram com câmaras municipais, nas férias desportivas, como coordenador de projectos, já depois de entrar na universidade. A partir daí comecei a dar aulas. Ainda fui seis anos oficial na Força Aérea Portuguesa e depois voltei ao Ministério da Educação para dar aulas, que é o que gosto mais de fazer”, declara.
Diz que ser professor é “fantástico” e só lamenta que actualmente o papel do professor esteja a ser visto com outros olhos pela sociedade. “Somos às vezes mal vistos na sociedade mas isso qualquer figura que tenha alguma autoridade tem perdido esse valor hoje em dia. Temos de repensar isso. Os professores têm um papel importantíssimo na sociedade. Gosto imenso do que faço, dá-me um prazer imenso ver os miúdos a crescer connosco e ganharem competências e conhecimentos”, afirma.

A educação vem de casa
“A educação vem de casa, saber dizer bom dia, agradecer, saber estar... Os pais têm de saber que são encarregues da educação dos seus filhos. A escola tem de educar e estruturar mas se esse trabalho vier de casa a aprendizagem é mais facilitada na escola. Muitas vezes a escola assume um papel que vai além do seu. Tentamos que a escola consiga cumprir essa função de elevador social”, refere.
Actualmente a nova direcção do agrupamento tem conseguido implementar mudanças de gestão que têm sido benéficas para alunos e professores, numa óptica de visão estratégica para o futuro. “Temos mudado processos, motivação, formas de funcionar, tudo. O trabalho tem sido positivo e começamos a sentir que temos mais pessoas a quererem vir para este agrupamento, o que não se sentia há uns anos atrás. É sinal de que as coisas estão melhores”, defende.
A sua maior preocupação é a crescente infantilização dos jovens, que tomam cada vez menos decisões. “Não andam de forma autónoma. A sociedade protege muito, e bem, os jovens. Mas deixámos de ter meninos a brincar na rua. Há pouco tempo livre para os miúdos estarem à vontade, em grupo, a decidir, criar e imaginar em brincadeira livre. Temos uma geração com maior acesso às tecnologias e informação, mas com menos autonomia na decisão. E temos muitas famílias que protegem em demasia os alunos”, conclui.

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