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Hospital de Abrantes vive situação difícil por falta de enfermeiros

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros diz que encontrou um único enfermeiro na Urgência dessa unidade de saúde, que foi reforçada esta semana com mais 16 profissionais.

Edição de 12.07.2018 | Sociedade

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros alertou na segunda-feira, 9 de Julho, para a “grande insegurança” na prestação de cuidados em serviços do Hospital de Abrantes, em particular nas Urgências, onde encontrou um único enfermeiro para três salas e o corredor.
Ana Rita Cavaco reuniu-se com o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT, que integra esta unidade e ainda as de Tomar e de Torres Novas), Carlos Andrade Costa, a enfermeira directora, Ana Paula Eusébio, e o presidente do conselho directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco.
A bastonária disse à agência Lusa que a reunião aconteceu em Abrantes porque a situação na Urgência deste hospital “é muito difícil” pela falta de enfermeiros, “com uma grande insegurança na prestação de cuidados”, situação que teve oportunidade de confirmar, tanto nesse serviço como em Cardiologia e em Medicina 2.
Ana Rita Cavaco sublinhou o facto de se ter iniciado na segunda-feira nas Urgências de Abrantes a integração de 16 dos 19 enfermeiros que o CHMT foi autorizado a contratar dos 58 solicitados para cobrir a passagem dos horários de trabalho para as 35 horas semanais. O que, afirmou, revela o grau de “carência” em que se encontrava este serviço, onde existem três salas de observação cirúrgica para doentes em pós operatório tardio (acima das 12 horas).
Na Cardiologia, onde se encontram dez doentes monitorizados, só existe um enfermeiro à noite, “uma situação também de rácios muito inseguros”, disse, adiantando que na Medicina 2 metade da equipa está de baixa, o que revela o “ponto de exaustão” em que se encontram os enfermeiros.
“À semelhança do que existe no resto do país, este hospital aguarda há vários meses autorizações de 40 substituições de enfermeiros que estão de licença prolongada e é impossível gerir diariamente os serviços sem ter estas autorizações”, declarou.

Equipas nos mínimos e abaixo dos mínimos
Segundo os números facultados pela administração do CHMT, 400 enfermeiros têm contrato individual de trabalho, o que “corresponde a mais de 50% do número total de enfermeiros” deste centro hospitalar.
Ana Sofia Cavaco afirmou que a administração teve que tomar uma medida “acertada, porque protege a segurança de todos”, que foi “encerrar pontualmente camas no serviço de Medicina” e o serviço de Ortopedia, bem como diminuir “a pressão” cirúrgica, “sendo que aqui não é tanto programada mas mais de urgência e que não pode mesmo parar”. “É um hospital que está permanentemente com as equipas nos mínimos e abaixo dos mínimos, em número de enfermeiros”, afirmou. Ana Sofia Cavaco adiantou que a taxa média de absentismo no Hospital de Abrantes é de 15%, encontrando-se acima da média nacional (12%).

CHMT reforça recursos humanos

O Centro Hospitalar do Médio Tejo recebeu autorização do Governo para contratar 46 novos profissionais de saúde, estando já em funções desde segunda-feira mais 19 enfermeiros e 16 assistentes operacionais. Durante esta semana serão ainda desenvolvidos os procedimentos de contratação de cinco assistentes técnicos, dois técnicos de diagnóstico e yerapêutica em Radiologia, três técnicos de diagnóstico e terapêutica em Patologia e um técnico de diagnóstico e terapêutica em Farmácia.

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