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Municípios começam a aplicar alternativas ao herbicida com glifosato

Municípios começam a aplicar alternativas ao herbicida com glifosato

Câmaras municipais ainda não erradicaram a utilização do herbicida contendo glifosato, mas garantem que têm reduzido a sua utilização recorrendo a outros métodos. O produto foi classificado como potencialmente cancerígeno e prevê-se a sua proibição em 2022.

Edição de 12.07.2018 | Sociedade

O herbicida glifosato, utilizado no combate às ervas daninhas em espaços públicos, foi classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015 como potencialmente cancerígeno para o ser humano. Apesar de não existir consenso sobre os riscos para a saúde e de a sua utilização estar em processo de revisão na União Europeia, vários municípios têm-se mostrado empenhados em reduzir a sua utilização.
Alberto Mesquita (PS), presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, diz a O MIRANTE
que em espaços públicos da responsabilidade da autarquia, não é “realizada a aplicação de herbicida com substância activa glifosato”. Como alternativa, este município tem utilizado mondas em modo mecânico e manual e apenas de “forma muito pontual e localizada, quando se verifica a total ineficácia de outros métodos, este tipo de substância poderá ser utilizada para controle de infestantes”. Garante a autarquia que a sua aplicação cumpre com todos os requisitos de segurança para a saúde humana e animal, conforme definido nas boas práticas de aplicação de fitofármacos.
Nesse concelho, a União de Freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa proibiu em Maio último a aplicação desse herbicida e está em fase de estudo de alternativas. Na passada assembleia de freguesia, o presidente de junta, Jorge Ribeiro, sublinhou que têm sido experimentadas outras alternativas não perigosas para a saúde humana e animal e pediu compreensão à população para possíveis atrasos na limpeza de ervas daninhas.

Almeirim continua a testar medidas mais adequadas
Em Almeirim a redução da aplicação de glifosato tem sido assegurada por uma máquina de monda térmica, que custou à câmara cerca de 30 mil euros. A máquina tem sido cedida às juntas de freguesia do concelho para que possam efectuar a manutenção dos espaços sem recurso ao glifosato. Apesar de diminuir a aplicação do produto, a máquina “não dá a resposta necessária à limpeza dos espaços”, continuando a ser preciso recorrer ao herbicida, explica Pedro Ribeiro (PS), presidente da Câmara de Almeirim.
Pedro Ribeiro adiantou que em breve vão iniciar novos testes, com um herbicida de cariz natural, que vai custar aos cofres do município dez vezes mais do que o produto que contém glifosato. No caso de se revelar eficaz poderá ser a nova aposta. De acordo com o autarca, é urgente procurar alternativas pois quer ter soluções viáveis para quando o uso de glifosato for proibido. Até lá o objectivo passa por continuar a diminuir a sua utilização “especialmente em espaços urbanos” próximos das populações.

Em Benavente a monda mecânica é a mais utilizada
Pulverizações em zonas de escolas e habitações e em dias de ventos fortes, que ajudam à propagação do pó, estiveram na base da recomendação aprovada na última sessão da Assembleia de Freguesia de Samora Correia que sugere o recurso à monda térmica como alternativa mais amiga do ambiente no combate à vegetação daninha e “sem implicações para o bem-estar de pessoas e animais”.
Nos primeiros dias de Junho a população terá relatado situações anormais durante a aplicação de herbicida com glifosato naquela cidade. Foram mencionadas situações de irritação nas vias respiratórias, alergias e a morte de um cão, que terá estado em contacto com o pó do herbicida.
A aplicação do produto é da responsabilidade da Câmara de Benavente mas a Junta de Samora Correia realiza alguns trabalhos pontuais. A Câmara de Benavente diz que o herbicida com glifosato “só é aplicado quando o controlo das infestantes não é possível de ser feito mecanicamente”, sendo a monda do tipo mecânico o método mais utilizado.
O município refere ainda que o herbicida com base activa de glisfosato utilizado no controlo de infestantes no concelho é isento de classificação eco-toxicológica, com dose química “muito baixa”, “não representando qualquer perigo para pessoas e animais”.

Avisos prévios são obrigatórios por lei

A lei obriga a que sejam previamente afixados, de forma visível e próximo da área a tratar, avisos que indiquem a entidade responsável pelo tratamento, a data de realização do serviço e data a partir da qual pode ser retomado o acesso à circulação de pessoas e animais ao local. É proibida a sua utilização e espaços como jardins infantis, hospitais e estabelecimentos de ensino.

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