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CAP critica discurso do ministro do Ambiente sobre uso da água na agricultura

CAP critica discurso do ministro do Ambiente sobre uso da água na agricultura

O regadio é a única forma de enfrentar as alterações climáticas e permanecer nos campos disse em Coruche o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, pedindo ao ministro da Agricultura uma política agrícola para a água.

Edição de 19.07.2018 | Economia

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) criticou o “discurso redutor” do ministro do Ambiente relativamente ao uso da água na agricultura e pediu ao ministro da Agricultura uma “política agrícola para a água”.
Eduardo Oliveira e Sousa falava durante o Dia de Campo InovMilho, na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, durante o qual foi inaugurado um Centro de Formação para produtores e técnicos e apresentada a Agenda de Inovação para as Culturas do Milho e Sorgo na presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos.
Realçando o facto de esta estação se encontrar no Vale do Sorraia, “no cerne do regadio”, com elevado contributo para a economia do país e a fixação de populações, o presidente da CAP afirmou ter ouvido “com espanto” o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmar que “se pretende diminuir os títulos de utilização, diminuir as suas autorizações, dando a entender que se está a usar água a mais”.
“E sobre mais barragens? Nem pensar, governem-se com o que há. Foram as palavras que ouvi. Querem mais regadio? Reguem com menos água. Senhor ministro, este discurso redutor tem de ser contrariado, a começar pelo seu. O regadio, como aqui se vê, é a única forma de enfrentarmos as alterações climáticas e permanecermos nos campos”, afirmou, dirigindo-se a Capoulas Santos.
O presidente da CAP referiu ainda que “já começaram os rumores, através do Ministério do Ambiente ou da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), de que o custo de utilização” de águas recicladas “será cobrado aos agricultores e que será até obrigatório o seu uso, caso ela seja uma alternativa mesmo que outra origem esteja disponível e a preço mais reduzido”. E acrescentou: “Espero não ter ouvido bem. Mais não digo porque mais não sei”, declarou.
Na resposta, Capoulas Santos comprometeu-se a “transmitir o recado” a Matos Fernandes e pediu que, a par da ambição de “desejar muito e mais”, haja também o reconhecimento sobre o que tem sido feito.
Em concreto, apontou o financiamento adicional conseguido para o plano nacional de regadio, de 540 milhões de euros para projectos a concretizar até 2022, dos quais estão já aprovados 300 milhões de euros, em 95.000 hectares de regadio, “entre beneficiações e novos”, com a criação de 10.000 postos de trabalho. “Nunca se executou tanta beneficiação de regadio e queremos ir mais longe”, frisou, referindo as negociações em curso para o próximo quadro comunitário de apoio.

Reduzir dependência externa de cereais

O InovMilho - Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo, foi criado em 2015, envolvendo 34 entidades parceiras comprometidas em implementar uma estratégia de desenvolvimento e inovação destas culturas, depois de em 2013 ter sido assinado o protocolo de revitalização da Estação Experimental António Teixeira, pela Anpromis (Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo) e o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária).
O director do INIAV, Nuno Canada, afirmou que um dos objectivos da estratégia para o sector é aumentar o grau de autoaprovisonamento de cereais dos actuais 23% para 38% em cinco anos, sendo que, no milho, o objectivo é passar dos 35% para os 50%, reduzindo a dependência externa, criando valor na fileira e viabilizando a actividade agrícola em todo o território nacional.

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