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“Continuo a cozinhar como se o fizesse para os meus filhos”

“Continuo a cozinhar como se o fizesse para os meus filhos”

Sandra Márcia é proprietária do Restaurante Canoa, na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira. Para além de gerir o seu negócio é a única cozinheira do mesmo e já não se imagina sem estar rodeada de tachos e panelas. Natural do Brasil, confessa que a culinária portuguesa é repleta de sabores inigualáveis.

Edição de 19.07.2018 | Identidade Profissional

Sandra Márcia, 50 anos, é natural do estado de Minas Gerais, Brasil, e há 18 anos não imaginava que viria viver para Portugal. Mãe de três filhos viu o seu marido emigrar para o nosso país em busca de uma vida melhor. Da primeira vez que o veio visitar, residia ele em Vila Franca de Xira, gostou tanto da terra e das pessoas que passados 15 dias arranjou trabalho e não voltou para o país de origem. Tornou-se cozinheira num restaurante na Póvoa de Santa Iria, onde trabalhou durante 11 anos. Hoje é dona e senhora do seu próprio espaço, o Restaurante Canoa, junto à praia dos pescadores, na Póvoa de Santa Iria.
Tem como parceira de negócio e braço direito a sua filha, Camila Ramos. Confessa que entre mãe e filha a relação no trabalho nem sempre é fácil, mas que ela é uma ajuda preciosa na gestão do restaurante e nas sobremesas. “Tudo o que é receita de doces é com ela”, explica, enquanto Camila Ramos está na cozinha - com vista aberta para a sala de jantar - a preparar mousse de chocolate.
A cozinha é o mundo de Sandra, que não se vê a fazer outra coisa que não envolva tachos e panelas. A paixão e talento para a profissão herdou-os de sua mãe. “Sou filha única e desde pequena me habituei a ver a minha mãe cozinhar. Fui aprendendo com o tempo e aperfeiçoando as técnicas”, diz. “Hoje continuo a cozinhar como se o fizesse para os meus filhos, sem grandes invenções e temperos. Continua a ser uma cozinha caseira”, acrescenta.
Foi no Brasil que se estreou no ramo da restauração, mas confessa que são as receitas portuguesas que mais gosto lhe dão a preparar. Em dias de cozido à portuguesa, uma das suas especialidades, Sandra começa os preparativos às seis da manhã. “Começo a cozer as carnes e os enchidos, que requerem algum tempo ao lume. Gosto de fazer tudo sem pressas, para que nenhum sabor fique por apurar”, diz. O mesmo acontece quando prepara feijoada à transmontana, pato no forno e outros assados.
Decidiu abrir o seu próprio negócio, segura de que tinha o sentido de responsabilidade necessário e a pitada certa de amor e dedicação à profissão. Já lá vão cinco anos e, desde então, o negócio tem vindo a crescer. O Canoa, já assim baptizado desde a anterior gerência, encontrava-se de portas fechadas quando Sandra viu nele o potencial necessário para passar a conciliar a cozinha com a gestão. “Também gosto de trabalhar com a papelada, fazer as encomendas aos fornecedores e gerir tudo isso”, conta, confessando que tudo só faz sentido porque mantém o seu lugar na cozinha.

“Aceito todas as opiniões aos meus cozinhados”
A cozinha em espaço aberto, com vista para as 50 mesas do restaurante, permite-lhe gerir o seu trabalho e espreitar as reacções dos clientes assim que a comida lhes chega à mesa. “Normalmente recebo elogios sobre a comida, mas também já me aconteceu o contrário. Aceito todas as opiniões aos meus cozinhados para poder melhorar”, diz.
Como a clientela é fidelizada, Sandra não tem dúvidas de que está a fazer um bom trabalho na cozinha. Para além dos reparos de quem degusta uma refeição no Canoa, Sandra preocupa-se em saber quais os pratos que os clientes mais gostam e até aceita pedidos especiais. “Às vezes recebemos brasileiros que me pedem para fazer alguma receita mais típica, que lhes lembre o país. Então eu preparo uma feijoada à brasileira, frango com quiabo ou feijão tropeiro, acompanhado com carnes grelhadas”.
O Restaurante Canoa trabalha todos os dias da semana e este ano poderá ser a primeira vez que encerra para férias. “Desde que abri ainda nunca encerrámos, mas pode ser que aconteça este ano”, afirma Sandra, que tem uma dedicação tal que diz que nem de folga precisa. “Basta-me dormir oito horas por dia e estou sempre disposta para o trabalho”, conta entusiasmada.

“Continuo a cozinhar como se o fizesse para os meus filhos”

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