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Ao contrário do que escreve a leitora Maria Rodrigues as andorinhas não têm carraças

Edição de 19.07.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Foi com surpresa que li o comentário de Maria Rodrigues “Carraças nas traseiras da PSP de Santarém” no jornal O MIRANTE do passado 5 de Julho (A leitora assinalava a eliminação de carraças no local e perguntava se a câmara municipal iria destruir os ninhos de andorinhas pois se não o fizesse voltaria a haver carraças uma vez que, segundo ela, as andorinhas eram “a raiz do problema).
Apesar de haver algumas referências na literatura (científica) à descoberta de carraças em andorinhas, essa parasitose é extremamente rara nestes animais uma vez que o ciclo da carraça se faz entre os animais susceptíveis e as plantas rasteiras. Como as andorinhas passam a maior parte do tempo a caçar insectos em pleno voo ou pousadas em fios, nunca sendo vistas no solo e as carraças não voam, é pouco provável que se “encontrem”.
Por outro lado, é proibido por lei nacional e internacional (Decreto-Lei 75/91, resultantes da Directiva 79/409/CEE e 86/122/CEE e Decreto-Lei 49/2005 de 24 de Fevereiro) a destruição destes animais, dos seus ninhos e dos seus ovos. As andorinhas desempenham um papel muito importante no controlo da população de insectos, o que as torna extremamente úteis à agricultura, diminuindo a necessidade de usar pesticidas, muitos deles perigosos para a nossa saúde (por serem cancerígenos).
Pelo exposto, as andorinhas e os seus ninhos não são “a raiz do problema”. E, já agora, consideraria lícito, fosse por que razão fosse, a destruição da sua casa? Achava correcto? Apelo a um pouco mais de respeito pelos animais (humanos e não humanos) e pela Natureza. Quando deixaremos de ser a espécie mais destruidora à superfície deste planeta?
Ana Silva Pereira
Médica veterinária

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