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Alerta aos caçadores: há uma tuberculose nos javalis e veados que contagia humanos

Alerta aos caçadores: há uma tuberculose nos javalis e veados que contagia humanos

Ribatejo não regista casos mas é preciso cuidado para que região se mantenha a salvo

Edição de 19.07.2018 | Sociedade

Há um tipo de tuberculose dos javalis e veados que é transmissível aos humanos e que só não chegará à região se os caçadores estiverem atentos e colaborarem com as autoridades veterinárias. A colaboração começa pela vigilância e alerta em situações que possam ser suspeitas e por não venderem a restaurantes carne de animais que não tenham sido controlados por veterinários. O contágio faz-se quer pelo contacto com animais infectados, quer pelo seu consumo. Estas questões foram comunicadas a uma centena de caçadores numa sessão de esclarecimento promovida pelo Clube de Caçadores de Valhascos e Cabeça das Mós, concelho do Sardoal.
Até agora não foi registado qualquer caso de animais infectados no Ribatejo, mas isso não deixa a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária descansada porque a doença existe em Portugal, tendo sido delineada uma área de risco na zona raiana das regiões Centro e Alentejo. A Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em conjunto com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, tem em marcha um plano de vigilância sanitária na caça maior, mas aos caçadores cabe uma grande responsabilidade. A DGAV passou a recolher amostras em várias zonas do país e não apenas nas zonas de risco, onde é obrigatório o cumprimento de várias restrições.
No entender de André Grácio, advogado e colaborador da associação de caçadores, esta questão assume especial importância porque “numa conjuntura económica difícil, tem-se verificado que alguns caçadores sem escrúpulos e de forma furtiva têm vindo a oferecer com mais frequência esta carne para venda, a preços irrisórios, e por isso de fácil aquisição”. Uma situação que também se aplica a festas populares, em que é consumida carne de javali “sem que haja qualquer controlo veterinário ou sequer sanitário”.
Na sessão, a veterinária municipal de Gavião e Nisa, Esmeralda Almeida, explicou os perigos e demostrou a importância de se fazer um exame aos animais caçados, sendo imprescindível que o animal esteja inteiro e que as vísceras não sejam deitadas fora. A médica veterinária referiu que por diversas vezes se deparou com animais sem cabeça porque os caçadores a cortam para levarem para casa como troféu. Neste caso é impossível avaliar o animal, uma vez que ao cortarem a cabeça impedem a análise de umas glândulas que se situam na zona do pescoço. Nestas situações os animais são rejeitados para consumo.
Fora das zonas de risco não é obrigatória a inspecção dos javalis e veados, excepto se a carne for para comercialização ou nas montarias, nas quais a lei exige a presença do médico veterinário. Esmeralda Almeida avisa que a carne destas duas espécies que não são controladas devem destinar-se exclusivamente ao consumo do caçador e da sua família mais directa, realçando que o auto-consumo não é andar a dar carne a amigos e a instituições. Até porque é destes cuidados que depende o controlo da doença, caso seja detectada. Da rapidez da detecção também depende a eficácia da sua erradicação.

Peste suína africana preocupa

A peste suína africana foi erradicada de Portugal nos anos 80, após um surto desta doença que não afecta a saúde dos humanos, mas é altamente contagiosa entre os animais e pode em pouco tempo dizimar as explorações de porcos para consumo. O que representa prejuízos financeiros enormes, até porque a lei diz que basta aparecer um animal infectado para todos os outros da suinicultura terem de ser abatidos. Para manter o país livre da doença provocada por um vírus para a qual não há vacina, é preciso evitar a entrada de animais caçados no estrangeiro que não tenham sido inspecionados pelas autoridades veterinárias. A preocupação da DGAV centra-se no leste da Europa, onde há um aumento do número de casos, nomeadamente na Ucrânia e, sobretudo, na Roménia, onde há um surto em constante crescimento.
Yolanda Vaz, investigadora e especialista da DGAV, que esteve presente na sessão, alertou que se “a doença entrar em Portugal temos de a caçar rapidamente para não termos grandes prejuízos”. No mês de Junho, informou, saiu uma determinação europeia que proíbe a venda de javalis vivos de uns países para outros dentro da Europa. Em Portugal, nesta matéria, há protecção de fronteiras, pelo que não podem passar animais sem certificado assinado por veterinário. Vai começar também a ser usado sangue dos suínos nos matadouros para ser estudado e assim haver um controlo mais eficaz.
Os caçadores que vão caçar ao estrangeiro devem observar todos os cuidados e sobretudo evitar o contacto com suínos domésticos. Os sinais da peste revelam-se por manchas vermelhas na pele dos suínos, vómitos, diarreias, aumento dos órgãos e hemorragias.

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