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Cercipóvoa fecha piscina para poupar mais de três mil euros por mês
Direcção já decidiu e a piscina da instituição fecha portas até ao final do verão

Cercipóvoa fecha piscina para poupar mais de três mil euros por mês

Utentes vão passar a utilizar as piscinas municipais do Forte da Casa. Presidente da instituição diz que não vale a pena alimentar “megalomanias” de “novo rico” num equipamento que é responsável por 45 por cento dos custos da instituição.

Edição de 27.07.2018 | Sociedade

A piscina de água aquecida da Cercipóvoa, instituição da Póvoa de Santa Iria que presta apoio a pessoas com deficiência, está a precisar de obras urgentes, dá um prejuízo mensal à instituição de 3.886 euros e por isso vai ser fechada no final do Verão.
A garantia é do presidente da cooperativa, José Gonçalves, que diz que a Cercipóvoa não pode continuar a “alimentar megalomanias” e deve focar-se na recuperação financeira. Os cerca de 77 utentes que frequentam a natação passarão a usufruir, já a partir do dia 1 de Setembro, das vizinhas piscinas municipais do Forte da Casa, que estavam com pouca utilização e têm todas as condições para receber os utentes.
A piscina da Cercipóvoa, devido à sua construção invulgar e complexa – elevada sobre o solo e suspensa em pilares – origina custos elevados de manutenção e exploração e já está a precisar de obras urgentes para se manter em funcionamento, por existirem fissuras, deslocamentos, fugas de água e problemas nas tubagens de aquecimento e sistema de ventilação.
Ao todo, explica José Gonçalves, seriam precisos mais de 60 mil euros para recuperar o equipamento. As piscinas só têm continuado em funcionamento graças a um protocolo assinado com a Euterpe Alhandrense, que as usava para os seus utentes a troco de um pagamento mensal. Mas até para a Euterpe as condições da piscina já não são as ideais. Perante a situação, a decisão foi fechar.
“A piscina não reúne as condições para continuar a prestar um bom serviço aos utentes e é muito deficitária mensalmente. Está fora de hipótese gastarmos 60 mil euros num equipamento que só nos gera despesa e nada de receita. Ter uma piscina a funcionar diariamente, aquecida, só para os nossos 77 utentes, é uma megalomania e uma ideia de novo rico que é coisa que a Cerci não é nem poderá continuar a ser”, explica.
Piscina não está entre as prioridades de investimento
O dirigente e a sua equipa têm estabilizado a contabilidade e estão já a estudar a possibilidade de, no futuro, vir a traçar planos de pagamentos faseados com os trabalhadores no sentido de vir a pagar os quase 400 mil euros de diuturnidades que estão em falta.
“Precisamos sobretudo de fazer recuperações na nossa residência, criar melhores condições para os nossos utentes e criar uma nova sala de estar. Isso parece-me mais importante do que estar a investir dinheiro numa piscina, quando o concelho tem equipamentos municipais desse tipo que podem ser disponibilizados para utilização dos nossos utentes a 10 minutos de distância”, explica.
Na última reunião pública de câmara também o presidente do município, Alberto Mesquita (PS), reconheceu que o dinheiro “não é infinito” e que os utentes “até vão ficar melhor servidos” com a utilização das piscinas municipais.

Um passo maior que a perna

A piscina foi construída em 2005, juntamente com as restantes instalações da cooperativa, tendo sido, à data, consideradas como um passo maior do que a perna. Situação que levaria, anos mais tarde, a uma caminhada financeira penosa para a Cercipóvoa, com dívidas ao construtor e fornecedores. Situação que tem vindo a ser invertida nos últimos anos.

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