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Não é preconceito nem machismo mas ninguém explica o que é
Mulheres estão a conquistar o seu espaço mas os aficionados continuam a preferir ver os homens a tourear

Não é preconceito nem machismo mas ninguém explica o que é

Edição de 27.07.2018 | Sociedade

Já lá vai o tempo em que os aficionados mais marialvas mandavam as mulheres que se atreviam a tourear, fosse a pé ou a cavalo, irem para casa coser meias. No entanto, apesar de terem conquistado o seu lugar no mundo dos toiros e de serem elogiadas e aplaudidas, ainda não reúnem a preferência de grande parte dos aficionados, como O MIRANTE teve oportunidade de verificar através dos inquéritos que fez na Corrida de dia 19 no Campo Pequeno.
“Por estranho que pareça e esperando que as senhoras não me levem a mal, eu prefiro os toureiros homens. Talvez por uma questão de hábito mas gosto muito mais de ver um toureiro a actuar. Quando vejo uma mulher a tourear acho estranho. Isto não é machismo e sei que não é politicamente correcto confessar esta preferência, mas é o que eu sinto”, explica Orlando Ferreira, Administrador da Rodoviária do Tejo.
Pedro Fernandes, proprietário da empresa Contabilidade de Abrantes, tem uma opinião semelhante. “Não tenho nada contra as mulheres mas gosto mais de ver um homem a tourear. Pela antiguidade das touradas e pela genuinidade. Gosto de ver as mulheres cavaleiras tauromáquicas a tourear, confesso, mas prefiro ver homens a fazê-lo. Não considero esta preferência uma discriminação. É apenas pela genuidade e antiguidade”, declara.
Inês Barroso, vereadora da Câmara de Santarém, faz um paralelismo com o futebol chamando a atenção para o facto da maioria dos adeptos continuarem a preferir ver jogos entre equipas masculinas.
“Eu gosto mais de ver actuar toureiros homens. É como no futebol. Também gosto mais de futebol masculino. Pessoalmente acho que o cavaleiro homem tem mais elegância, mais garra, mais postura. Gosto mais de ver um homem a tourear”, sublinha a autarca.
Margarida Ribeiro, proprietária da creche Fraldas Fora, em Santarém, tem uma opinião semelhante. "Acho mais bonito ver um toureiro do que uma toureira, pois considero que as touradas são um espectáculo de homens", refere.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, tem uma visão completamente diferente e acredita mesmo que o futuro da tauromaquia está em grande parte nas mãos das mulheres.
“Hoje em dia a mulher ocupa lugares em quase todas as actividades, portanto, o que vai acontecer no futuro, é haver muito mais mulheres a tourear, principalmente a cavalo”, defende.
Acompanhado da mulher, Catarina Alves, Paulo Morais, proprietário da Casa de Repouso Santa Madalena, em Alhandra, não faz distinções de sexos. "A arte de tourear é bonita e o importante é que tanto homens como mulheres tenham oportunidades iguais de brilhar. O que queremos ver é a arte, independentemente do género do artista”, diz.
Carlos Carrão, consultor na Resitejo, também defende que o que lhe interessa é assistir a um bom espectáculo, independentemente de o artista ser mulher ou homem e Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara do Cartaxo, sublinha isso mesmo na sua declaração.
“Hoje em dia acho que a arte é tão bonita, quer seja desempenhada por um homem ou por uma senhora. Habituámo-nos a ver durante muito tempo o toureiro mas felizmente cada vez mais há toureiras a provar que as mulheres são tão capazes quanto os homens.”.

Não é preconceito nem machismo mas ninguém explica o que é

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