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Silêncio que se vai pegar um toiro no Campo Pequeno
Muitos forcados já tiveram que faltar ao trabalho por causa da paixão pelos toiros

Silêncio que se vai pegar um toiro no Campo Pequeno

Grandes pegas no Campo Pequeno na corrida de O MIRANTE. Grande curro de toiros da ganadaria de Pinto Barreiros.

Edição de 27.07.2018 | Sociedade

A corrida de O MIRANTE que se realizou no Campo Pequeno, em Lisboa, foi o espectáculo do ano graças à actuação dos três grupos de forcados e à excelência do curro de toiros do ganadeiro Joaquim Alves de Andrade.
Seis toiros da ganadaria Pinto Barreiros, que cumpriram e levaram o ganadeiro ao centro da praça por duas vezes. E com justiça. Seis pegas que encheram o Campo Pequeno de emoções, principalmente a segunda pega dos Forcados Amadores da Chamusca, protagonizada por Bernardo Borges, que vai ficar na memória de muita gente por ter sido quase perfeita. O Forcado soube aproveitar a sorte do touro e teve arte e engenho para executar os três tempos de uma pega ao parar, mandar e templar quase na perfeição, com a praça em silêncio durante breves minutos para depois se erguer em aplausos. Uma pega de antologia.
Os amadores de Cascais, com Ventura Doroteia na cara, ganharam o troféu para a melhor pega da corrida, na última actuação da noite, que por sinal fechou a corrida. Pega valente que o júri decidiu premiar como a melhor.
O cabo do Grupo do Ribatejo, Pedro Espinheira, também se evidenciou na primeira pega da corrida e seria também um candidato a ganhar o troféu se o grupo não tivesse cedido na cara do toiro, já junto às tabuas, quase no final da reunião.
Luís Rouxinol foi quem fez história na arte de tourear a cavalo. Esteve bem nos dois toiros mas no segundo galvanizou-se e deixou o público rendido.
Francisco Palha distraiu-se e pôs em perigo a sua montada depois de uma actuação meritória no segundo toiro que lhe coube em sorte. O cavaleiro mostrou dignidade e castigou-se pelos erros recusando receber aplausos. Mas mostrou grandes qualidades como toureiro.
Filipe Gonçalves não desiludiu mas com os toiros que Pinto Barreiros levou para a praça do Campo Pequeno tinha obrigação de fazer muito mais. A certa altura o cavaleiro parecia incrédulo com o azar na lide do primeiro toiro mas a culpa só podia ser dele.
Casa quase cheia e um público que não regateou aplausos. Em certos momentos da corrida acompanhou várias vezes com palmas a actuação dos artistas. O silêncio que se fez na praça para que o forcado Bernardo Borges desse provas de como a pega de um toiro pode ser uma escola de virtudes, foi também sentido na pega de Francisco Borges que, no entanto, foi pouco feliz na hora de desfazer a reunião entre toiros e forcados. Mas o registo da actuação do público é mais do que merecido e fez toda a diferença principalmente nestes momentos chave que ditaram muito da qualidade do espectáculo.
Nota de destaque ainda para o forcado João Espinheira, do Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, que concretizou uma excelente pega. Num dos momentos mais dramáticos da noite, sem consequências de maior, o bandarilheiro Jorge Alegrias, com a capa na mão, arriscou o que podia para proteger um forcado caído na arena depois de uma pega frustrada.
Grande noite de toiros com a ganadaria, os forcados e o público, por esta ordem, a merecerem o maior destaque.

Silêncio que se vai pegar um toiro no Campo Pequeno

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