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Bombeira com 78 anos continua ao serviço da população
Isilda Patrício é bombeira em Azambuja há 43 anos

Bombeira com 78 anos continua ao serviço da população

Isilda Patrício vestiu pela primeira vez a farda dos Bombeiros Voluntários de Azambuja há 43 anos. Durante muitos anos foi pau para toda a obra. Ajudou a apagar incêndios, prestou auxílio em muitos acidentes e acções de socorro até passar ao quadro de honra da corporação, aos 72 anos. Mas nem assim Isilda se retirou das lides. Pediu para continuar e actualmente acompanha doentes não urgentes nas viagens de ambulância até ao hospital.

Edição de 17.08.2018 | Sociedade

Isilda Patrício tem 78 anos e é bombeira de primeira do quadro de honra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja. Apesar da idade continua a trabalhar na corporação oito horas por dia, cinco dias por semana, como voluntária. A sua fonte de rendimento é a pensão de 290 euros que recebe desde que se reformou por invalidez, aos 38 anos. Já não exerce funções operacionais, mas o dever e a vontade de ajudar dão-lhe força para prosseguir a sua missão de ajudar o próximo.
Natural de Azambuja, ingressou como voluntária nos bombeiros da vila em 1975, quando ser bombeiro implicava dedicação a uma causa sem que a formação acompanhasse os desafios que iam surgindo. “Tinha apenas o curso de primeiros socorros, o resto era ao desenrasca”, afirma a bombeira.
O medo assaltou-a diversas vezes, mas a vontade de ajudar vencia sempre. Lembra o cheiro a terra queimada, o calor das chamas, a aflição do povo e dos homens que estavam ao seu lado, a combater as labaredas. “Nunca desisti. Tinha medo mas não sou mulher de me queixar”, diz convicta das suas palavras.
Aos 72 anos, quando entrou para o quadro de honra da associação humanitária, deixou de exercer funções operacionais mas continuou a sua missão com outras tarefas. “Pedi ao presidente e ao comandante para não me mandarem embora. Queria continuar a ajudar e sabia que era capaz”, conta.
Hoje continua a vestir a farda com o mesmo respeito de há 43 anos. Faz o acompanhamento a doentes não urgentes nas viagens de ambulância até ao hospital. “Fico triste e choro se não me levam. Gosto de estar ao lado dos doentes e dar-lhes força”, conta Isilda. “Tenho sempre uma palavra de conforto. Não podemos tratar os doentes como se fossem um fardo de palha. Eles merecem mais”, continua.

Uma vida de trabalho
Isilda Patrício, nascida em Azambuja no seio de uma família numerosa, trabalha desde os 13 anos, quando foi para Lisboa servir. Ganhava o correspondente a 13 euros por mês e o horário de trabalho estendia-se para lá das habituais oito horas diárias.
Durante os anos que se seguiram, Isilda Patrício foi uma adolescente que se agarrou ao trabalho. Com 17 anos entrou ao serviço num armazém de vinhos, onde permaneceu até ser atirada para a reforma por invalidez com apenas 38 anos, devido a uma doença de pele nas mãos causada pelo contacto com o vinho. “Um dia estava a trabalhar e um homem reparou nas minhas mãos ligadas. Pediu-me para tirar as ligaduras e viu as minhas feridas”, recorda Isilda. Foi chamada pelo patrão e não mais voltou a exercer a sua profissão.
Foi um casal amigo que incentivou Isilda a entrar nos Bombeiros Voluntários de Azambuja. “Como eram outros tempos tive de pedir permissão ao meu marido. Ele teve medo, mas não me impediu de ir”, diz.

O sonho de ser herói

“Não gosto de ver sofrimento, por isso decidi ser bombeiro e seguir o lema vida por vida”. As palavras são de Miguel Henriques, 12 anos, o mais jovem bombeiro da corporação de Azambuja. A decisão foi tomada em conjunto com os pais, que tal como ele e a irmã mais nova pertencem à fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja.
Miguel Henriques integra o primeiro Curso de Formação de Cadetes (CFC) e garante que tem a lição bem estudada. “Conheço os carros de trás para a frente, sei a hierarquia e o que cada toque de sirene significa. Tenho que saber, porque faço parte do futuro desta corporação”, diz a O MIRANTE. Gosta do respeito e do espírito de camaradagem. Se Isilda Patrício vai para o quartel todos os dias, o jovem tenta seguir-lhe as pisadas. “Ela é simpática e pergunta-me se tenho namorada. Como sou pequeno, pensava que eu ainda estava no primeiro ano [da escola básica], mas já vou para o oitavo”.

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