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Celebrar a desistência e aplaudir a mediocridade é prova de fraqueza

Edição de 24.08.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Sou dos que celebram vitórias, feitos grandiosos e qualidades excepcionais. Faço-o porque foi assim que fui educado e porque o falhanço e a mediocridade nunca me motivaram nem servem de consolo. Não se nivela por baixo mas por cima.
Um senhor do concelho de Salvaterra de Magos propôs-se fazer um amaratona de 800 quilómetros, de Barcelona até Faro (Algarve). Desistiu a um terço do caminho e ganha direito a uma notícia com foto e tudo. Pois bem, se conseguisse alcançar o objectivo era apenas alguém que se tinha superado embora não fosse um campeão. Falhou, falhou. O mais que se poderia dizer era que teve mais olhos que barriga ou que tentou dar um passo maior que a perna. Depois disso competia-lhe decidir se voltava a tentar ou não, apagar a imagem de falhado.
Por vezes vou a espectáculos onde as coisas correm mal. Noutros tempos cantor desafinado ou artista de teatro a falhar deixas e falas, tinha direito a pateada e a uma chuva de tomates e ovos podres. Agora tem direito a aplausos sem fim e a três ou quatro idas ao palco. Coitadinho, devem pensar os que aplaudem. Pelo menos esforçou-se. Alguns já me disseram que aplaudem porque ele teve a coragem de subir ao palco. Respondo-lhes sempre que não foi coragem, foi desfaçatez, falta de vergonha. Olham-me de soslaio por não aplaudir falhanços, mediocridades ou cenas ridículas. De um modo geral não temos auto-estima nem sentido crítico. Perdeu-se tudo na carneirização do facilitismo. Confunde-se compreensão com aclamação. Não vamos longe!! E tenho pena dos poetas porque já não têm possibilidade de escrever outros Lusíadas!
Dionísio Fontes

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