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Câmara de Vila Franca de Xira quer tirar marina ao Vilafranquense

Em causa estão as investigações em torno de 220 mil euros que desapareceram. Proposta de reversão da marina para a posse da câmara deverá ir a uma das próximas reuniões de câmara, nos primeiros dias de Setembro.

Edição de 24.08.2018 | Sociedade

A Câmara de Vila Franca de Xira quer passar para a sua posse a marina da cidade, que actualmente está nas mãos da União Desportiva Vilafranquense (UDV), clube que está a ser investigado pelo Ministério Público por causa do desaparecimento de 220 mil euros. Dinheiro que foi entregue pelo município ao clube como contribuição para as obras da marina.
Até que a investigação fique concluída, e da qual ainda não surgiram novidades, o município quer que a marina passe extraordinariamente para a sua posse, de forma a impedir que possa deixar de servir a cidade e as duas dezenas de embarcações que actualmente estão ancoradas no local. O município está a finalizar uma proposta para ir a votação em reunião de câmara já depois das férias de Verão, visando tomar posse da marina.
“A câmara está neste processo para encontrar uma solução que defenda o interesse público. A nossa ideia é que a marina passe transitoriamente para a posse da câmara e que seja negociado um plano de pagamentos do clube à câmara, para irmos sendo ressarcidos do valor que entregámos”, explicou Alberto Mesquita, presidente do executivo, numa das últimas reuniões camarárias. O autarca diz que é preciso saber “para onde foi o dinheiro” e que é preciso que se vá “mais fundo” na avaliação da situação.
Em causa, recorde-se, está o pagamento em falta à empresa construtora da marina de Vila Franca de Xira. A obra deveria ter sido paga entre o UDV e a câmara, tendo o município entregado ao clube, em 2003, o cheque para pagar a sua parte. O problema é que esse dinheiro desapareceu e ninguém prestou contas sobre o assunto, obrigando a câmara, na prática, a vir pagar duas vezes a mesma obra. O Ministério Público já abriu uma investigação para perceber o rasto do dinheiro. O facto dos dois principais dirigentes do clube, à data, já terem morrido e não haver documentação que mostre o paradeiro do dinheiro, são alguns dos factores para complicar o apuramento da verdade.
Mesquita já admitiu que a situação vai obrigar a câmara a pagar novamente a mesma obra e a apresentar uma proposta de apoio extraordinário para saldar a dívida com a empresa construtora da marina, justificando essa actuação com o “interesse público” da marina, que considera “imprescindível para a promoção turística da cidade” e um imóvel público que não se deve perder.

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