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Viajou do Brasil a Coruche para baptizar a filha em nome das raízes
Hélder Martins emigrou para o Brasil em 2007 foto DR

Viajou do Brasil a Coruche para baptizar a filha em nome das raízes

Hélder Martins vive em São Paulo e só pondera regressar a Portugal na reforma

Edição de 22.08.2018 | Tão longe e aqui tão perto

Hélder Martins recorda com saudade os tempos que viveu na Fajarda, concelho de Coruche, dos abraços apertados sempre que chegava a casa das tias e da madrinha e das frutas que apanhava da horta para comer. Apesar de ter deixado Coruche na infância para viver com os pais e o irmão em Lisboa e depois Aveiro, todos os fins-de-semana regressava à terra onde nasceu. Além disso, as Festas de Nossa Senhora do Castelo, em Agosto, eram paragem obrigatória para esta família ribatejana. A sua terra natal ficou-lhe sempre no coração e, apesar de ter emigrado para São Paulo (Brasil) há 11 anos, fez questão de baptizar a sua filha em Coruche.
Em Portugal fazia vídeos em casamentos e filmava espectáculos de bandas musicais. Foi a falta de oportunidades de trabalho na sua área e o facto de poder ganhar mais experiência profissional que o fez arriscar. “Emigrei porque sempre quis trabalhar na área do cinema e documentários e o Brasil é um dos países pioneiros nesta área. Dois meses depois de ter chegado entrei na fase de finalização de um documentário que integrou um dos mais importantes festivais de documentários da América Latina”, o “É tudo verdade””, conta a O MIRANTE.
Hélder Martins viajou para estudar um ano na Academia de Cinema em São Paulo. Entretanto, arranjou trabalho e foi ficando. Conheceu a companheira no Brasil de quem tem uma filha nascida há três anos na cidade mais populosa do continente americano. Não se arrepende da decisão que tomou há onze anos de deixar o seu país. Actualmente trabalha em diversas áreas: direcção de fotografia, organizador de congressos e workshops, tem dois sites com informação para cinegrafistas e trabalha também em cinema e documentários. “Enquanto em Portugal se faz cinco filmes por ano que chegam ao cinema, no Brasil temos 150. Portugal tem nove milhões de habitantes e só a grande São Paulo tem 18 milhões de habitantes por isso é muito difícil a algum português que viva no Brasil regressar. Aqui quem é bom acaba por ganhar muito pela quantidade de clientes que tem”, explica.
O director de fotografia afirma que existem muitas diferenças entre portugueses e brasileiros. A principal é a forma como encaram a vida. “Quando perguntamos a um português como vai ou como está, na resposta vem quase sempre um problema, mesmo que esteja bem na vida. Enquanto os brasileiros, podem passar fome, mas respondem sempre que está tudo bem e com um sorriso no rosto. Os brasileiros são mais positivos e mais animados. Há mais alegria cá”, considera.

SAUDADES DO FRANGO DE CHURRASCO E CAFÉ PORTUGUÊS
Hélder confessa que o que sente mais falta é do frango no churrasco e do café português. Gostava de visitar mais vezes a sua terra natal mas as viagens para Portugal, afirma, ainda são muito caras. No entanto, faz questão de levar os seus pais todos os anos a visitá-lo e visita Portugal de dois em dois anos. Não exclui a hipótese de um dia viver nos Estados Unidos da América uma vez que já fez alguns trabalhos lá. “Tenho algumas portas abertas no país e acho que um dia vou aproveitá-las. Tenho que perceber qual é o melhor momento”, diz.
Apesar de São Paulo ser conhecida como uma cidade violenta, Hélder Martins diz que nunca foi assaltado e que se sente seguro onde vive. “Já andei sozinho no centro de São Paulo com mais de 15 mil euros em equipamentos várias vezes e não tive qualquer problema. Claro que não ando a mostrar o material e, como acontece em Portugal, sabemos a que horas podemos ou não passar em determinadas ruas”, explica. Nos tempos livres gosta de passear com a família, estar com amigos e familiares da esposa e assistir aos jogos de futebol europeu, incluindo o português que, por vezes, passa na televisão brasileira.
Hélder Martins pondera regressar definitivamente a Portugal quando se reformar. Antes disso não acredita que isso aconteça. “Alguém que trabalhe num mercado com um potencial de 200 milhões de clientes nunca vai querer voltar para um mercado de trabalho tão pequeno como o de Portugal”.

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