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Pertinaz Manuel Serra d’Aire

Edição de 31.08.2018 | Emails do Outro Mundo

Sempre invejei as pessoas do tipo canivete suíço ou pau para toda a obra, autênticas enciclopédias ambulantes ungidas com um talento especial que lhes confere a capacidade de desempenhar as mais diversas missões e tarefas sempre com a mesma competência e bons resultados, seja no público seja no privado. É por isso que tem vindo a crescer a minha admiração pela advogada Sónia Sanfona, excelsa militante socialista que depois de já ter sido governadora civil, deputada e vereadora da Câmara de Alpiarça está agora na administração do Hospital de Santarém, deixando assim a presidência da associação Promoção da Segurança dos Activos Técnicos (seja lá isso o que for), onde ganhava a vida até há pouco tempo.
Infelizmente o mundo é um lugar muito mal frequentado e muitas vezes as superlativas capacidades e competências dos predestinados só são reconhecidas tardiamente. E é quando o são... Mas mesmo sabendo disso, confesso que não consigo compreender onde é que o povo de Alpiarça tem tido a cabeça para se dar ao luxo de desperdiçar por duas vezes a magnífica oportunidade de ter uma presidente de câmara de tal quilate. Ingrata terra que se dá a esse luxo. Na minha terra chama-se a isto dar pérolas a porcos, salvo seja. Porque pessoas como Sónia Sanfona são como os canalizadores e políticos sérios, cada vez mais difíceis de encontrar.
Mais fáceis de encontrar são os especialistas em determinadas matérias. Sobre futebol já se sabe que não há alma que não tenha a sua opinião abalizada. Mas nos últimos anos constatei, graças à torrente informativa e às carnívoras redes sociais, que especialistas em incêndios, mestres em procedimentos de combate aos fogos e peritos em ordenamento florestal são mato neste país. Deve ser por isso que estamos sempre a arder...
E por falar em mato, alguns habitantes de Santarém ficaram abespinhados com a razia que a autarquia e proprietários privados aplicaram em alguns matagais na cidade, evidenciando uma das características que melhor definem o português: a eterna insatisfação. Já cantava o icónico António Variações: “eu só estou bem onde não estou, eu só quero ir onde não vou...”. No ano passado a falta de limpeza das florestas e matagais foi apontada como uma das causas para o inferno que se viveu no país e as redes sociais encheram-se de indignados a exigir cabeças e medidas radicais contra os prevaricadores.
Este ano, finalmente, deixou de se brincar com o fogo e os proprietários públicos e privados tiveram que meter mãos à obra (embora muitos se tenham marimbado para as obrigações). Só que ninguém se lembrou dos passarinhos, dos coelhos, dos ratos, lagartixas e outra fauna que nidifica e vive no meio de sebes, arbustos, silvas e canaviais. E por isso lá veio o mesmo coro de indignados, agora queixando-se que é uma vergonha o que estão a fazer, etc., etc... Estranhamente, o PAN não tugiu nem mugiu. Está visto que para o partido Pessoas, Animais e Natureza, tal como escreveu o escritor George Orwell, todos os animais são iguais, mas há uns que são mais iguais que outros...

Saudações estivais do
Serafim das Neves

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