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Fechou o negócio por causa da má vizinhança

Fechou o negócio por causa da má vizinhança

Café Bifanas da Rosa, em Benavente, encerrou portas ao fim de 10 anos. Proprietária diz que não teve outra solução depois de ser roubada, ameaçada e de perder todos os clientes por causa dos novos vizinhos de etnia cigana. Estes desmentem as acusações e falam em racismo.

Edição de 07.09.2018 | Sociedade

O café Bifanas da Rosa, em Benavente, fechou no sábado, 1 de Setembro, precisamente no dia em que fazia 10 anos. Rosa Silva, a proprietária do estabelecimento, decidiu pôr um ponto final no negócio que “com muito custo” construiu, depois de ter sido roubada, ameaçada e de perder praticamente todos os clientes fidelizados por causa da nova vizinhança de etnia cigana.
Rosa Silva diz que os novos moradores começaram a causar distúrbios desde a sua chegada, “descompondo os clientes” que frequentavam o seu estabelecimento, derramando líquidos e lixo em cima dos automóveis que estacionavam em frente ao edifício e roubando o que era colocado na vitrina do café. As contas do que consumiam não eram pagas, assegura a proprietária. “Diziam que iam ao carro ou ao multibanco levantar dinheiro e não pagavam. Continuava a servi-los por medo”, refere.
“Sempre vivi deste negócio, que não deu para ficar rica, mas deu para viver. Em quatro meses estragaram-me a vida”, diz a proprietária a O MIRANTE, referindo-se aos novos inquilinos que habitam no edifício onde tinha o café. Com perdas de 22 mil euros em mobiliário que vendeu “ao desbarato” e rendas em atraso dos últimos três meses, Rosa Silva, de 57 anos, natural de Benavente vê-se sem emprego ou dinheiro para abrir um novo estabelecimento. De há quatro meses para cá diz que facturava uma média de 15 euros por dia, porque os “clientes deixaram de entrar por medo”. Antes deste, teve outro café em Samora Correia.

Ciganos falam em racismo
As três famílias ciganas, com cerca de 30 membros, falam em racismo por parte da população, incluindo Rosa Silva. Maria Silva, 33 anos, uma das inquilinas de etnia cigana, diz mesmo que nunca roubou nada no café e que pagavam as contas. As famílias eram, aliás, “os únicos clientes do café”, refere.
Sobre a constante presença da GNR no local, devido a queixas por parte da vizinhança, refere que não têm nada a temer, lamentando o facto de as pessoas “não entenderem o modo de vida” do ciganos. “Os nossos filhos estão habituados a brincar na rua e isso incomoda as pessoas”, diz, assegurando que “não fazem mal a ninguém”.

Famílias estão sinalizadas
A GNR diz que as famílias de etnia cigana estão sinalizadas e que desde Maio passado se deslocou cerca de 15 vezes ao local, em patrulha, composta por dois a quatro militares. A situação mais recente ocorreu no sábado, 1 de Setembro, pelas 21h30, depois de Rosa Silva dar o alerta de que estava a ser impedida de sair do estabelecimento e que menores estavam a apedrejar a porta do café. No local estiveram quatro militares, mas ninguém foi identificado.
De acordo com a GNR estas famílias residiam em Samora Correia antes de se mudarem para Benavente. Antes disso sabe-se que viviam em Portimão, no Algarve. Actualmente, as famílias numerosas vivem em dois apartamentos e num sótão do edifício. Manuel Gomes, proprietário dos andares e da loja onde Rosa Silva tinha o café, garante que os inquilinos têm tudo legal e pagam a renda, de 300 euros por cada apartamento e sótão.
“Sabia que eram ciganos. Foram-me indicados por um conhecido meu, também de etnia cigana, que me disse que não iam arranjar problemas”, afirma o arrendatário. Admite que ficou com algum receio pelos estragos que pudessem causar nas habitações, mas não esperava vir a ter problemas, ao ponto de perder outros inquilinos. De acordo com Manuel Gomes, os apartamentos estiveram desocupados durante sete anos, porque no prédio já morava uma pessoa problemática, noutra habitação que não lhe pertence. “O desespero” e a “necessidade financeira” levaram-no a arriscar o arrendamento dos andares a estas famílias, por contrato de um ano.

Fechou o negócio por causa da má vizinhança

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