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Marinheiros saíram de Vila Franca de Xira mas não esquecem a cidade

Marinheiros saíram de Vila Franca de Xira mas não esquecem a cidade

Antigos militares juntaram-se em convívio na antiga Escola da Armada. Mais de 1500 pessoas que ao longo da vida passaram pela antiga Escola da Armada em Vila Franca de Xira juntaram-se no espaço – agora municipal – para revisitar as salas onde estudaram, conviveram e onde alguns marcharam para a guerra. A maioria aplaude iniciativa da câmara de reabilitar o espaço.

Edição de 07.09.2018 | Sociedade

Não há marinheiro que tenha passado pelo Grupo de Escolas Nº1 da Armada (G1EA) de Vila Franca de Xira que consiga esquecer a cidade e até há quem vá visitar o concelho com frequência, seja por ter deixado amigos para trás ou para mostrar aos netos onde a vida profissional começou.
Entre as lágrimas, saudades, reencontros e o contacto com os velhos edifícios – muitos deles actualmente degradados – a maioria com quem O MIRANTE falou é unânime: Vila Franca de Xira está no coração. Mas a decisão do Estado de transferir a escola foi um erro. “Acho que foi muito má ideia terem tirado daqui as escolas, era um local relativamente pequeno e com capacidade para ensinar bem, tínhamos as infraestruturas todas, isto foi um erro crasso”, diz Vítor Alves, antigo sargento.
Quem também condena a saída da Marinha de Vila Franca de Xira é Pedro Antunes, outro marinheiro já na reforma. “Aqui vivia-se uma vida diferente, mais calma, com mais qualidade de vida. A saída daqui foi precipitada e desprovida de fundamento. Ninguém me tira da cabeça que aqui é que algumas especialidades da Marinha estavam bem. São poucas as escolas militares com estas condições, o Governo quis poupar dinheiro de qualquer maneira e precipitaram-se a fechar isto”, critica.

Marinheiros da região com esperança no novo projecto
Pedro Pinto, 33 anos, é de Vialonga e foi um dos últimos militares a passar pelas instalações, entre 2003 e 2008. Entrou na vida militar por influência do padrinho que já era sargento na Marinha. Despediu-se do G1EA para embarcar na fragata João Belo, onde também integrou a última guarnição antes da fragata ser vendida pelo Estado.
“Fico triste quando vejo isto, as escolas davam muita vida a Vila Franca de Xira, havia muitos militares por cá. A estação de comboio da Quinta das Torres agora parece uma estação fantasma. Tenho saudades desta escola, foi aqui que cresci para a vida”, diz o agora bombeiro de profissão no quartel de Vialonga. Pedro, tal como outros militares, vê com ânimo a requalificação que a câmara municipal prevê fazer no espaço. “É bom fazerem aqui algo que dê uma nova vida a isto”, defende.
De Santa Iria [Loures], às portas do concelho vilafranquense, é António Correia, 68 anos, que foi professor de electrotecnia na G1EA. Passava o tempo a dar aulas, a embarcar dois anos e a regressar aos bancos da escola. “Guardo boas memórias, a Marinha é uma casa que recebe muito bem toda a gente e faz as pessoas sentirem-se bem cá. Qualquer pessoa que passou por aqui de certeza que não vai ser capaz de dizer mal disto”, conta. Ver o espaço actualmente fechado é “uma tristeza” mas António Correia acredita que o novo projecto municipal “vai abrir as portas à população” e dar uma nova vida ao espaço, “desde que não seja para construir condomínios fechados” à beira rio.

Marinha zarpou de VFX em 2009

A Marinha zarpou de Vila Franca de Xira em 2009 depois de 75 anos de serviço e as instalações estiveram fechadas e ao abandono durante nove anos, até serem adquiridas pelo município. A escola teve a sua origem na Escola de Mecânicos, criada a 10 de Maio de 1934, que passou a ser responsável pela formação da maior parte do pessoal técnico da Armada, designadamente fogueiros, serralheiros, artífices, condutores de máquinas, torpedeiros, electricistas e, algum tempo depois, radiotelegrafistas. Em 1961 a Escola de Mecânicos deu lugar ao G1EA, englobando a Escola de Alunos Marinheiros, a Escola de Sargentos e as Escolas Técnicas de Comunicações, Armas Submarinas, Informações em Combate, Máquinas, Electrotecnia e Abastecimento.

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