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Pó, sol e noites mal dormidas fazem parte da aprendizagem para ser líder

Pó, sol e noites mal dormidas fazem parte da aprendizagem para ser líder

O MIRANTE acompanhou um curso de liderança no Regimento de Apoio Militar de Emergência. Durante doze dias quase quarenta jovens entre os 17 e os 20 anos passaram umas férias diferentes no interior de um quartel. Uma espécie de mini recruta que serviu como teste à resiliência dos participantes e proporcionou experiências marcantes, embora a maioria não queira seguir a carreira militar.

Edição de 07.09.2018 | Sociedade

Por volta das 17h30 de segunda-feira, 3 de Setembro, o sol já ia baixo no horizonte mas as actividades do dia ainda estavam longe de terminar no IX Curso de Liderança que decorreu entre 24 de Agosto e 4 de Setembro no Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) de Abrantes, organizado pela unidade militar em parceria com o Rotary Clube local. Enquanto os elementos da equipa FoxTrot faziam volteio a cavalo e treinavam a confiança montando de olhos fechados, sem braços, ou deitados no cavalo, junto ao muro da entrada do quartel a equipa dos Cruzados treinava uma situação de transporte de feridos.
O ambiente remete para a instrução militar. O sol, o pó e sobretudo a noite anterior mal dormida, com prova de sobrevivência, trazem as emoções à flor da pele e uma das participantes acaba a chorar ao não conseguir transpor um obstáculo. Depois de superado o obstáculo, a jovem sorri e vê recompensado o seu esforço com a avaliação positiva do graduado que acompanhava o desafio.
Tudo faz parte da aprendizagem, diz-nos o capitão Marco Ordonho, chefe da Secção de Operações, Informações e Segurança do RAME e director do curso: “Têm que estar em constante gestão do stress e ser resilientes, é isso que lhes queremos transmitir”.

Carreira militar não seduz
Uma mensagem que, pelos vistos, não deu grande resultado no que toca a cativar os jovens a pensarem alistar-se nas Forças Armadas. Diogo Gil tem 17 anos, quer seguir engenharia mecânica mas a vida militar não o seduz, nem mesmo com os 2,5% de vagas reservadas aos militares no ensino público.
O mesmo acontece com Joana Ferreira, participante do curso de 2017, que pensa seguir medicina veterinária fora da instituição militar. Já para Duarte Belém, de 19 anos, a escola de oficiais ou a academia militar são uma possibilidade depois de terminar o “Gap Year”, um ano de interregno em que optou por tirar algumas formações e trabalhar para ganhar experiência antes de ingressar em ciência política.
Mesmo assim, o comandante do RAME, coronel César dos Reis, assim como o capitão Ordonho, mostram satisfação quando sabem que alguns dos jovens têm intenção de seguir carreira militar, como aconteceu com dois jovens da formação de 2017 e, ao que parece, irá acontecer com três jovens do curso de 2018. Mas, afirmam, “não é esse o nosso objectivo”.
Desde 2010 já passaram pelo Curso de Liderança cerca de 300 alunos. Para praticamente todos eles é o primeiro contacto com a instituição militar, para muitos será também o último, mas uma coisa é certa: a experiência não se esquece.
Constança Diogo participou no curso de 2017 e voluntariou-se para ajudar no curso deste ano. A jovem, representante distrital do Interact, Distrito 1960, do Rotary Clube, afirma que o curso a ajudou a perceber que não há problema em admitir o erro.
Para o capitão Ordonho este curso vai ser um marco indelével na vida dos jovens que o frequentam. “Baixa-lhes as guardas, retira-lhes os filtros e eles ficam permeáveis a mensagens nobres como cidadania, educação e coragem”, acrescenta o militar.

A instituição militar tem que ser “cool” para atrair mais jovens
A instituição militar tem que ser “cool”, tem que mudar o paradigma. Tem que cativar os jovens, ter boas instalações e boas condições técnicas e tecnológicas. É nisso que é necessário investir para atrair mais jovens para o serviço militar. A opinião é do coronel César dos Reis, comandante do Regimento de Apoio Militar de Emergência.
Segundo César dos Reis, o Curso de Liderança já faz parte do código genético do RAME e do Rotary Clube de Abrantes. “É uma daquelas situações em que todos ganham. Ganham as instituições e ganham os jovens”, refere olhando para Júlio Ferreira Miguel, presidente do Rotary Clube de Abrantes, que anuiu realçando tratar-se de uma actividade exclusiva dessa entidade só possível graças à boa vontade do RAME.

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