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“Os deficientes são incitados todos os dias a ultrapassar obstáculos”
Flávio Santos é campeão nacional de natação adaptada - FOTO – Facebook de Flávio Santos

“Os deficientes são incitados todos os dias a ultrapassar obstáculos”

Flávio Santos é um exemplo de superação e gosta de ser posto à prova. Portador de deficiência nos membros inferiores, o jovem de Ferreira do Zêzere, que representa o Clube de Natação de Torres Novas, é campeão nacional de natação adaptada e a meio de Setembro cumpriu 15 km a nadar na albufeira do Castelo do Bode. Porque não se resigna e para mostrar que pode chegar onde os outros chegam.

Edição de 03.10.2018 | Desporto

Imagine ter algumas dificuldades em andar, estar impedido de jogar futebol, ser olhado de lado quando vai ao café e até mesmo pelo sexo oposto. É assim o dia-a-dia de Flávio Santos, atleta do Clube de Natação de Torres Novas, campeão nacional de natação adaptada nos 100 metros bruços. Um jovem que nasceu com uma deficiência nos membros inferiores mas que nunca se resignou à sua sorte, apesar de ainda hoje se sentir discriminado.
Na natação encontrou o escape e o factor de motivação para mostrar que pode fazer o que outros fazem. Depois de, em 2015, ter feito a sua primeira travessia a nadar no rio Zêzere, Flávio Santos desta vez foi mais longe e nadou 15 quilómetros a fio. Uma travessia que aconteceu no dia 16 de Setembro, nas águas da albufeira do Castelo do Bode, entre Dornes e Bairrada. No total, foram 5h45 minutos em que a palavra de ordem foi não desistir.
“Esta foi a oportunidade de mostrar ao mundo que não é por ter uma deficiência que não realizo os meus sonhos”, desabafa, revelando que foram as palavras de incentivo do treinador que lhe deram a força necessária nos momentos em que pensou desistir. “Esta é realmente a parte mais negativa da minha deficiência quando nado. Não posso contar com algumas partes do meu corpo e é sempre mais difícil estas aventuras”, confessa.
O jovem de 28 anos, natural de Ferreira do Zêzere, sublinha que “os deficientes não são coisas, são pessoas com sentimentos que todos os dias são desafiadas para ultrapassar obstáculos”, confessando que, talvez por isso, ainda hoje não encontrou a sua cara-metade. “As raparigas ainda hoje olham de lado para mim. É por isso que tenho tido dificuldades em arranjar namoradas”, conta a O MIRANTE.
Flávio tem paraparesia espástica progressiva (grupo de doenças raras caracterizado por paraparesia espástica das pernas), escoliose dorso lombar (desvio da coluna vertebral na zomba lombar - no fundo das costas) e ataxia (atrofia muscular progressiva).
Os treinos diários e as aulas no Politécnico de Tomar
O dia de Flávio começa bem cedo com uma ida ao ginásio em Tomar. Depois de horas de treino, vai até ao Complexo Desportivo de Tomar para nadar durante cerca de duas horas e meia e o dia acaba nas aulas, no Instituto Politécnico de Tomar, onde frequenta o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores. É que além de entusiasta pelo desporto, o jovem tem um gosto especial pela electrónica. “É uma área que puxa por nós e gosto de objectivos”, adianta o jovem que sempre foi bom aluno e só quando era criança necessitava que a mãe o mandasse estudar.
Flávio ainda se lembra bem do dia em que vestiu pela primeira vez calções de banho. “Tinha um ano e pouco. A minha mãe viu que não andava e levou-me ao Hospital Dona Estefânia. Foram os médicos de lá que a aconselharam a colocar-me na natação e foi o que ela fez”, conta. A partir daí nunca mais parou. Uma paixão que, apesar das limitações, ganhou asas, contando sempre com o apoio da família.

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