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Doença de Alzheimer ataca mais em Portugal
Filipa Gomes da Alzheimer Portugal diz que a doença é diagnosticada demasiado tarde

Doença de Alzheimer ataca mais em Portugal

Na maior parte dos casos a doença é diagnosticada demasiado tarde. A propósito do Dia Mundial da Doença de Alzheimer O MIRANTE falou com Filipa Gomes do Núcleo do Ribatejo da Alzheimer Portugal. Portugal é o quarto país da OCDE onde há mais pessoas com demência

Edição de 03.10.2018 | Sociedade

A doença de Alzheimer “é vista como fazendo parte do envelhecimento, mas não tem que ser assim”, considera Filipa Gomes, directora técnica de Serviços de Lisboa e do Núcleo do Ribatejo da Alzheimer Portugal. “Muitas vezes não é diagnosticada atempadamente porque se acha normal, culpabiliza-se a idade, e só quando acontecem casos caricatos como colocar os sapatos no frigorífico é que os cuidadores e médicos se apercebem que talvez não seja apenas da idade, que pode haver uma doença associada ao comportamento”, refere a especialista a
O MIRANTE, numa conversa a propósito do Dia Mundial da Doença de Alzheimer, assinalado a 21 de Setembro.
Segundo Filipa Gomes, na maior parte dos casos a doença é diagnosticada demasiado tarde, quando já não é possível intervir. “O diagnóstico precoce é possível e é fundamental. É muito importante procurar a ajuda de um psiquiatra que ajude a diagnosticar a doença numa fase inicial”, aconselha a responsável pelo núcleo do Ribatejo.
Para Filipa Gomes, a grande dificuldade a nível nacional e regional é saber a prevalência do número de pessoas com demência, pois não existe, até à data, nenhum estudo epidemiológico que retrate a real situação do problema. Os próprios centros de saúde não possuem esses registos.
De acordo com a directora técnica, em 2017, o núcleo do Ribatejo, que engloba os centros de Rio Maior, Mação, Torres Novas, Coruche e Santarém, com sede em Almeirim, registou 72 utentes com processos abertos, sendo que o número de cuidadores acompanhados pela associação ascendeu às oito centenas.
O trabalho feito pelo núcleo consiste, além da ajuda prática aos doentes, na sensibilização para a doença, fazem também consultas de avaliação neuropsicológica para despiste ou para identificação da fase da doença. Sendo uma enfermidade que afecta toda a família e amigos, o núcleo presta também apoio psicológico e formação adequada aos cuidadores.
Portugal é o quarto país da OCDE onde há mais pessoas com demência por mil habitantes, com cerca de 20 por cada mil pessoas. Se contabilizarmos toda a população nacional este número cresce para os 205 mil casos. É sabido que o Alzheimer representa entre 50 e 70% dos casos de demência o que significa que, destes 205 mil casos de doença, 100 a 140 mil são de Alzheimer.

Risco de demência aumenta com a idade

O principal factor de risco da demência é a idade, aumentando a taxa de prevalência com o avanço da mesma. Na faixa etária entre os 65 e os 69 anos a taxa de prevalência é de 2%, subindo para 4% na faixa entre os 70 e os 74, para 7% entre os 75 e os 79, para os 12% entre os 80 e os 84 e para 20% entre os 85 e os 89 anos. Para as pessoas com mais de 90 anos, a taxa de prevalência duplica, passando para os 41%.
Mas, se a idade é um factor de risco de desenvolvimento de demência, e não há como lhe fugir, existem outros factores que, controlados, podem ajudar a reduzir o risco de vir a desenvolver demência, como a prática de exercício físico, alimentação saudável, estimulação cognitiva e todos os comportamentos associados a um estilo de vida saudável.

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