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“A educação é que faz mexer o Mundo”
Goreti David é coordenadora pedagógica do Colégio José Álvaro Vidal, da Fundação CEBI

“A educação é que faz mexer o Mundo”

Goreti David, 53 anos, coordenadora pedagógica do Colégio José Álvaro Vidal da Fundação CEBI de Alverca

Edição de 26.09.2018 | Três Dimensões

Goreti é um rosto conhecido da Fundação CEBI e de Alverca, onde vive há mais de três décadas. É uma apaixonada por educação e uma eterna insatisfeita que está sempre a procurar fazer mais e melhor nos círculos onde se move. É coordenadora pedagógica de um colégio que tem o nome do fundador da CEBI e por isso confessa que é um grande orgulho fazer parte da equipa. Recentemente foi a autora da letra do hino da fundação.

Sou muito exigente comigo e procuro sempre saber e fazer mais. Sou uma eterna insatisfeita, estou sempre a tentar fazer novas coisas e nunca páro. Quando era criança gostava de muitas áreas e ainda hoje adoro artes, pintar, desenhar, música, teatro, dança e até gosto de medicina. Prendem-me os programas relacionados com ciência. Sou muito curiosa. Sou de Coruche mas já estou em Alverca há mais de 30 anos. Faço a coordenação dos educadores e participo na coordenação do primeiro ciclo. Foi uma coincidência ter vindo para esta área. São experiências que temos na vida que nos fazem seguir por um caminho ou outro. Podia ter feito muita coisa mas adoro trabalhar em educação e sinto-me realizada.
A educação é a área que faz mexer o mundo se for bem feita. O que fazemos com eles desde pequenos permitirá que venham a ter bons resultados no futuro. O mundo hoje precisa muito de uma boa geração futura. Temos de criar independência nos alunos logo desde pequenos. Têm de ser independentes e já podemos dar-lhes experiências de independência logo com um ano. Eles têm de ir crescendo progressivamente. Acredito que as crianças precisam de ser autónomas ao longo do seu percurso escolar.
Fascina-me poder trabalhar com crianças. O que mais gosto de fazer e o que me dá mais prazer é o trabalho da comissão de articulação de ideias. Temos representantes de todos os ciclos, do pré-escolar ao segundo e terceiro ciclo e secundário, representantes da música, teatro e dança e tentamos trazer as pessoas mais criativas para este grupo. O objectivo é criar conceitos para proporcionar experiências atractivas para os alunos.
Ser coordenadora de um colégio com o nome de José Álvaro Vidal é um orgulho. É desafiante, não é igual todos os dias e é muito bom podermos inventar e criar coisas novas. Trazer as experiências e os saberes das mais diversas pessoas que coabitam aqui dentro. Escrever o hino da fundação foi um esforço muito interessante e colectivo. Os valores que considero fundamentais no trabalho são a honestidade, transparência, capacidade para cativar os outros e motivar. E o respeito pela individualidade, isso é o principal. Tira-me do sério as incapacidades de mudar, de fazer novo e diferente. Ficar preso às planificações do ano anterior e ao que já fizemos sem nada inovar.
Não sou viciada em trabalho mas dedico-me muito e gosto de trabalhar. Faço com que cada dia seja um desafio para mim própria. Mas é difícil desligar do trabalho. Estou sempre a tentar fazê-lo. Vou ao cinema, gosto de bons filmes e filmes franceses. E gosto muito de música, em particular música clássica. Estou a aprender piano e já tenho aulas há 3 anos. Está a ser um grande desafio, é interessante e exige muito empenho. No piano há competências que se podem utilizar no dia-a-dia. Acredito que as experiências que se têm, o mundo que se conhece, trazem benefícios e vantagens para o nosso trabalho.
No Verão estive em 13 cidades da Europa numa espécie de “roadtrip”. Cada uma das cidades deu-me conhecimento e fascínio. O mundo que temos dentro de nós influencia o que fazemos. Somos sempre diferentes depois de viajar. Não gosto de estar em casa e prefiro a rua. São fases da nossa vida. Nasci num sítio pequeno e tive muito contacto com a terra e as árvores. Depois fartei-me e fiquei mais fascinada com o movimento das cidades e o conforto de ter tudo à mão. Agora, nesta fase, estou a começar a gostar outra vez do campo e de andar descalça.
Vivo em Alverca e se pudesse mudava muita coisa na cidade. Sou muito sensível à estética e não gosto de ver as ervas no chão, não gosto de ver quando as coisas do ponto de vista estético não fazem sentido, como o urbanismo. Gosto de estar em sítios que me fazem sentir bem, limpos e cuidados. Acredito que podemos aproveitar mais o rio, ter mais árvores e mais cuidado com as construções e a limpeza. Por outro lado é uma cidade com uma grande comunidade, tão diversificada, que torna muito interessante e desafiante trabalhar com todas estas famílias e essas crianças.

“A educação é que faz mexer o Mundo”

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