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Alhandra vê com apreensão a venda da Cimpor a capitais turcos
Trabalhadores da empresa esperam um quadro mais favorável no futuro

Alhandra vê com apreensão a venda da Cimpor a capitais turcos

Brasileiros terão encaixado perto de 700 milhões de euros com o negócio. O grupo brasileiro que detinha a cimenteira Cimpor vendeu-a a um grupo turco, a Oyak Cement, depois de anos a acumular prejuízos. Trabalhadores e população de Alhandra estão apreensivos mas dizem esperar o melhor.

Edição de 07.11.2018 | Economia

O grupo brasileiro Camargo Corrêa, que detinha a cimenteira portuguesa Cimpor, que tem instalada em Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, uma das suas fábricas, vendeu a empresa no dia 26 de Outubro à empresa turca Oyak Cement, detida por um fundo de pensões da Turquia. O negócio acontece cinco anos depois dos brasileiros terem tirado a Cimpor da bolsa e numa altura em que a cimenteira acumulava prejuízos.
Na vila de Alhandra o negócio foi visto com apreensão por vários trabalhadores e também pela junta de freguesia. Vários trabalhadores da empresa, escutados por O MIRANTE, asseguram que lhes foi transmitido que não estão previstos quaisquer despedimentos e, pelo contrário, há a intenção de reforçar o investimento naquela fábrica, o que, a concretizar-se, consideram ser positivo. Mas alguns admitem recear o que aí vem, considerando que mudanças de donos nunca são positivas.
Mário Cantiga, presidente da Junta de Freguesia de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, também se mostra apreensivo porque, considera, a Cimpor é importante para a economia da região e do país e um dos principais empregadores da freguesia. Uma eventual decisão de despedimentos causaria um impacto forte no tecido social da zona.
“Quando há estas vendas há sempre alguma desconfiança inicial. A Cimpor é uma empresa importante ao nível das exportações. Queremos que os postos de trabalho se mantenham ou até que aumentem. Já falei com uma responsável do centro de produção que me garantiu que as indicações que existem actualmente é para não despedir ninguém e até dinamizar a produção já existente, o que é positivo. Mas vamos continuar atentos”, explica Mário Cantiga. O autarca vinca também a necessidade de não ser descurado o controlo e preocupação ambientais em torno da fábrica.

Prejuízos rondam os 439 milhões
Três fábricas, duas moagens de cimento, 20 pedreiras e 46 centrais de betão em Portugal e em Cabo Verde são os activos envolvidos no negócio com a Oyak Cement. “As actuais estruturas directivas das áreas produtivas e dos serviços centrais da Cimpor em Portugal e Cabo Verde manter-se-ão em funções”, lê-se num comunicado da empresa.
A Cimpor foi vendida pelo Estado em 2012. Há cinco anos saiu da bolsa por não ter condições de, no curto prazo, avançar com um aumento de capital com recurso a subscrições públicas. Uma forma de não ter de prestar contas aos investidores numa altura em que as contas da empresa mostravam “uma deterioração expressiva dos capitais próprios e do crescimento da dívida financeira”.
Em 2017 os prejuízos da empresa rondavam os 439 milhões de euros. Um valor que tem vindo a baixar nos últimos anos - em 2016 chegou a fechar com resultados negativos de 787 milhões de euros. A nova dona da Cimpor, a Oyak Cement, é controlada pelo fundo Oyak, “o primeiro e maior fundo de pensões na Turquia”, refere a Oyak em comunicado. Fundado em 1961, o fundo aposta em “investimentos estratégicos em sectores lucrativos” em indústrias diversas, “como a do cimento e a do betão, a exploração mineira e a metalúrgica, o automóvel, a energia e o sector químico”, acrescenta.

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