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Família de triatleta assassinado não acredita na versão de Rosa Grilo

Família de triatleta assassinado não acredita na versão de Rosa Grilo

Família de Luís Grilo vira costas à viúva e acredita que a justiça lhe ditará a sentença. São eles que têm gerido a empresa de informática e cuidado do filho menor do casal.

Edição de 07.11.2018 | Sociedade

Na versão apresentada pela viúva, que aguarda julgamento em prisão preventiva, Luís Grilo foi morto à sua frente e ainda respirava quando lhe caiu no colo. O triatleta e empresário terá morrido com dois tiros na cabeça, disparados por um dos três homens que terão invadido a residência do casal, nas Cachoeiras. No mesmo depoimento, Rosa Grilo cria a imagem de que o marido andava metido em negócios de tráfico de pedras preciosas e que foi esse o motivo que ditou a sua morte.
O que a suspeita disse, porém, parece não ter convencido a juíza de instrução criminal, a Polícia Judiciária ou a família de Luís Grilo. “Ninguém acredita nessa história. Há dias em que até me diverte, pela falta de sentido que tem”, confessa a
O MIRANTE Sandra Grilo, sobrinha do triatleta.
Também o sobrinho Ricardo Grilo, que chegou a viver em casa de Rosa e Luís, não acredita na tese apresentada. “Perante os factos que têm sido veiculados, foi essa senhora [Rosa Grilo] que roubou a vida ao meu tio. É incrível como nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas”, diz, questionando: “Como é possível nem sequer ter pensado no menino?”.
Após a detenção de Rosa Grilo, o sobrinho já tinha dito a O MIRANTE que não estava surpreendido. No entanto, sentia-se culpado por pensar que Rosa poderia estar envolvida na morte do tio. A vida de casal que Ricardo presenciou, no tempo em que viveu com os tios, não o leva a crer que haveria ‘permissão’ para relações extraconjugais. “A ideia que sempre tive é que seria um casal feliz. Nunca presenciei nada que me levasse a pensar o contrário”, diz. O sobrinho descreve um clima harmonioso e de alegria, até porque Luís Grilo “tinha um grande sentido de humor e uma enorme alegria de viver”.
O enredo apresentado por Rosa mancha a imagem do triatleta, mas com isso a família Grilo não está preocupada. “Quem o conhece sabe bem como ele era. Não é o que ela conta que vai mudar isso”, diz a sobrinha. Sandra confirma ainda que Luís Grilo esteve em Angola há oito anos por causa de negócios relacionados com a empresa de informática. Não acredita que ele estivesse envolvido em tráfico de diamantes, como acusa Rosa Grilo.

Filho tenta acreditar na inocência
“O menino quer acreditar na mãe”. As palavras são de Sandra Grilo que se tem mantido próxima do primo de 12 anos. “Ele terá tempo de fazer os seus juízos de valor, não vamos ser nós a fazê-los por ele”, acrescenta.
O menor, que tem estado aos cuidados de Júlia Grilo, irmã mais velha do triatleta, “ainda não voltou à escola, por ordem dos médicos” que o acompanham desde que Rosa Grilo foi detida. No momento da detenção, a criança encontrava-se em casa com a mãe e tê-la-á visto a ser levada pela brigada da Polícia Judiciária. Rosa Grilo, a partir da prisão, já criticou o modo de actuação desta força policial, classificando-o como um acto pouco humano.
A criança já foi ouvida pelo Ministério Público e as suas declarações desmentem a versão da mãe. Segundo Rosa Grilo, no dia 16 de Julho, o menor entrou em casa e ficou na sala, enquanto ela se dirigiu à GNR para participar o desaparecimento do marido, a mando de um dos assassinos do triatleta.

PJ anda de olho na empresa

A PJ já varreu a empresa por diversas vezes e ao que O MIRANTE apurou voltou a fazê-lo na segunda-feira, 29 de Outubro. “Eles vêm quando têm de vir. Estão a fazer bem o seu trabalho”, comenta Sandra.
Desde que Rosa Grilo está a cumprir prisão preventiva, é a família Grilo que tem gerido a empresa de informática sediada em Alverca. Júlia Grilo tem passado lá os seus dias e quando não está é porque é terça-feira, ou seja, dia de levar o sobrinho a visitar a mãe à prisão. E porque “mãe é mãe, ele quer ir sempre vê-la e nós respeitamos”, diz a filha de Júlia, Sandra Grilo.
É nos dias de visita a Rosa Grilo que Júlia conversa sobre questões relacionadas com a empresa. Segundo diz a O MIRANTE, “mantêm-se os quatro funcionários na sede e mais 17 a operar em Lisboa. A carteira de clientes ficou praticamente na mesma, à excepção de “dois ou três clientes que se afastaram”, desde que o caso começou a ser polémico.
É intenção da família Grilo manter a empresa a funcionar a bom ritmo, para que um dia o menor possa vir a beneficiar dela, caso fique à guarda da família paterna. Júlia Grilo já avançou com o pedido de tutela do sobrinho e aguarda decisão do tribunal.

Levantamento e mensagem tramam viúva

Em tribunal, Rosa Grilo alega ter sido raptada, na segunda-feira, 16 de Julho, pelos homens que lhe invadiram a casa e mataram o marido. Versão que a PJ refuta através de registos que comprovam que a mulher do triatleta fez um levantamento no multibanco e compras num supermercado.
Também as localizações celulares comprovam que nesse dia o telemóvel de Rosa Grilo não saiu do concelho de Vila Franca de Xira. Por sua vez, Rosa admitiu à procuradora de justiça que o telemóvel esteve sempre consigo durante a viagem que fez até Benavila, com os raptores angolanos. Durante hora e meia de viagem, alega que “era incapaz de tocar na mala”, onde estava o telemóvel e pedir ajuda.
No entanto, a PJ sabe que a suspeita enviou uma mensagem a uma funcionária da empresa de informática. Rosa reforça a teoria e diz à procuradora: “Não sabe o medo com que eu estava. Eram eles que mandavam”. Durante a viagem que tinha como destino a casa de Benavila, afirma que esteve sempre sozinha no banco de trás, mas sob vigia. Luís Grilo estaria em casa, sequestrado, com o terceiro elemento que compunha o grupo de criminosos, que buscavam os diamantes.

Homicídio planeado com antecedência
O homicídio de Luís Grilo foi premeditado com pelo menos 44 dias de antecedência. A tese é avançada pelo Ministério Público, que acredita que o crime começou a ser preparado no dia 2 de Junho, com a deslocação de Rosa Grilo e António Joaquim a Avis e a Benavila, local onde o corpo do triatleta foi encontrado.
Os amantes, suspeitos de terem assassinado Luís Grilo, terão estudado o terreno onde viriam a depositar o cadáver, esperando que este se decompusesse rapidamente com o calor e fosse devorado por animais de caça. Com esta prova, o crime passa a homicídio qualificado e pode resultar na aplicação da pena máxima de prisão - 25 anos - a Rosa e António.
Caso venham a ser condenados pelo homicídio do triatleta, os dois suspeitos terão de pagar uma indeminização ao menor por danos morais e materiais sofridos pela morte do pai.

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