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Sara Carvalhal
Sara Carvalhal Psicóloga Clínica, Ucardio, 37 anos, Riachos (Torres Novas

Sara Carvalhal

Psicóloga Clínica, Ucardio, 37 anos, Riachos (Torres Novas)

Edição de 29.11.2018 | Agora Falo Eu

Costuma dar dinheiro a mendigos ou arrumadores?

Não. Existem equipas especializadas que conhecem estas pessoas e que têm acesso a recursos mais adequados para as ajudar. A ajuda que eu posso dar é encaminhá-las ou sinalizá-las para estes técnicos. Dar dinheiro é uma solução imediata que não resolve problemática alguma.

Qual é a pior coisa que lhe podem fazer?

A pior coisa que me podem fazer é tratarem-me de forma mal educada. Acredito que podemos dizer tudo o que queremos, desde que o saibamos fazer de forma adequada.

A que petisco não resiste? Porquê?

Conquilhas ou amêijoas, remetem imediatamente para tempo de férias.

À mesa, branco ou tinto?

Para acompanhar uma refeição escolho geralmente um tinto monocasta da região Alentejo. Também é bom para acompanhar uma boa conversa.

Se lhe saísse o Euromilhões qual era a primeira coisa que fazia?

Há uma piada que fala de um homem que vai todos os dias à igreja pedir que lhe saia o Euromilhões. Um dia Jesus sussurra-lhe: “Tudo bem, mas ao menos joga”.

O que punha a funcionar na sua terra que não existe?

Já não vivo há muitos anos nos Riachos, mas é daqui que sou. Desde que aqui trabalho tenho verificado que há poucas opções para levar as pessoas mais velhas para a rua a fim de conviverem e desenvolverem ou diversificarem interesses. Não consultei as pessoas ou as entidades locais para fazer esta afirmação, mas tenho a ideia de que a saúde dos idosos riachenses melhoraria com um espaço onde pudessem participar em eventos comunitários, ler um jornal ou um livro, ir à internet, fazer algum desporto ou desenvolver uma actividade de cariz cultural que fosse do seu interesse.

Conseguia viver sem telemóvel?

De repente sinto o peso de quem lhe vai escrever que viveu no tempo em que inventaram a roda. Eu vivi, efectivamente, muitos anos sem telemóvel. Honestamente, viveria sem telemóvel e sem redes sociais, mas não estou certa de que fosse tão fácil responder o mesmo quanto à internet.

Facilita a vida das pessoas o facto de estarem sempre “ligadas e contactáveis”?

Devemos estar ligados e contactáveis com limites. Não estamos sempre disponíveis para todos, em todos os momentos e para todos os assuntos. Os limites são um excelente organizador da vida mental.

Ainda há dinheiro para comer fora?

Em 2010 comecei a acompanhar pessoas que passaram fome, perderam casas, criaram dívidas. Actualmente percebe-se uma melhoria. Começa a existir dinheiro para pequenos luxos, como comer fora, mas de um modo geral percebo um aumento da culpabilidade em fazer gastos em actividades prazerosas.

Era capaz de se tornar vegetariana?

Capaz penso que seria - nunca se subestime uma pessoa determinada - mas sigo uma dieta mediterrânica. Os artigos que vou lendo sobre alimentação fazem-me crer ser a melhor para a minha saúde.

Quando viaja prefere que meio de transporte (carro, comboio, bicicleta)?

Eu gosto de utilizar bicicleta e transportes públicos, mas os transportes públicos não dão resposta adequada às minhas necessidades. Trabalho em clínicas que estão a uma distância considerável umas das outras. Desafio quem tiver dúvidas a deslocar-se entre Torres Novas, Torres Vedras e Lisboa de transportes públicos para verificar o que afirmo.

Se pudesse ter um super poder qual escolheria?

O meu super herói preferido é o Batman, porque não tem super poderes. As pessoas são absolutamente extraordinárias sem super poderes. Pensar em super poderes é pensar em soluções mágicas e eu não só não acredito nelas, como trabalho exactamente no sentido oposto que é ajudar os outros a criarem as suas próprias soluções.

Sara Carvalhal

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