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“Alpiarça tem muitos carros mas pouca gente nas ruas”
Maria Manuela Amaral tem mãos não só para a costura como para a cozinha

“Alpiarça tem muitos carros mas pouca gente nas ruas”

Maria Manuela Amaral é proprietária da Churrasqueira do Mercado em Alpiarça

Edição de 06.12.2018 | Três Dimensões

Maria Manuela Amaral tem 68 anos, vive em Alpiarça e é proprietária da Churrasqueira do Mercado (Alpiarça). Conta que sabe cozinhar como ninguém mas que também é exímia na costura. Tem dois filhos e dois netos. Nunca andou de avião e já foi várias vezes em peregrinação a Fátima, a pé. Nos poucos tempos livres gosta de ler e de brincar com os netos.

Em criança brincava ao elástico, às pedrinhas e à apanhada. Era bastante diferente de agora porque fazíamos as brincadeiras na rua. Agora, por circunstâncias várias, as crianças passam a maior parte do tempo em casa.
As panelas e os tachos são amigos especiais. Desde pequena que sempre gostei de ajudar em casa, mas desde que casei e tive filhos, comecei a aplicar-me mais na cozinha. Sempre gostei de experimentar e apostar em novos ingredientes.
Não há bacalhau com natas como o meu. Confecciono várias iguarias, mas este prato de bacalhau sempre me saiu melhor que todos os outros. Aprendi a fazê-lo através das receitas que aparecem nas revistas e de muitas experiências culinárias. Faço sempre bacalhau com natas às sextas-feiras.
Sempre tive mãos para a costura. Foi o primeiro ofício que aprendi. Na altura, fazia, juntamente com as modistas, vestuário de homem e mulher. Entretanto, deixei o trabalho para ir atender ao balcão numa padaria em Alpiarça, durante três anos, até me casar. Depois, estive em casa a fazer costura durante alguns anos até ir trabalhar para um pronto-a-vestir, no atendimento ao público e, mais tarde, para a Churrasqueira do Mercado como funcionária.
Arriscar está no meu sangue. Tinha 40 anos quando entrei para a Churrasqueira do Mercado como funcionária. Assava frangos, fritava rissóis, preparava saladas, confeccionava pratos e atendia o público. Nunca parava quieta. Depois a antiga proprietária questionou-me se queria ficar com o negócio e disse logo que sim. Estamos neste novo local, junto ao mercado de Alpiarça, há oito anos.
Não sei o que é andar nas nuvens. Nem fisicamente nem por desligar da realidade. Nunca tive muito tempo para viajar. Nunca fui ao estrangeiro e nunca andei de avião. Em Portugal, também conheço pouca coisa. São os ossos do ofício de quem trabalha demais.
Os livros são o meu refúgio. Tenho preferências pelos romances e obras históricas. Já li os livros todos do escritor Nicholas Sparks. Com a churrasqueira, divirto-me muito pouco. Também gosto de passear e de brincar com os meus netos.
Gosto de música portuguesa, desde Marco Paulo a Rui Veloso. Não sou muito de ouvir música mas quando o faço gosto de música ligeira.
Já fui várias vezes a Fátima a pé. Quando era mais nova juntava-me com umas amigas e íamos todos os anos fazer a peregrinação a Fátima. Costumávamos fazer o percurso em dois dias. Mas, entretanto, comecei a ter um problema no joelho e tive de deixar de o fazer.
Se fosse presidente da câmara trazia mais pessoas para as ruas. Alpiarça tem muitos carros e pouca gente. Se fossem feitas mais iniciativas para tirar as pessoas de casa seria óptimo, não só para o comércio local, como para a vila toda. Não é fácil ter um negócio na área da restauração. Apesar de haver muitos jovens a querer vingar nesta área, existem muitas dificuldades na hora de abrir um restaurante ou mesmo uma churrasqueira. É preciso muito espírito de sacrifício e muitas horas de trabalho, incluindo fins-de-semana e feriados, e nem toda a gente consegue.

“Alpiarça tem muitos carros mas pouca gente nas ruas”

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