uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Leilão da fábrica de açúcar de Coruche não chega para pagar aos credores
Empresa chegou a ter autorização para fabricar até 65 mil toneladas de açúcar de cana

Leilão da fábrica de açúcar de Coruche não chega para pagar aos credores

Nenhum dos interessados quis comprar o património na totalidade. Venda de equipamentos da DAI conseguiu reunir 2,4 milhões de euros, insuficiente para cobrir os três milhões de euros reclamados pelos trabalhadores e muito aquém dos 8,1 milhões da dívida total.

Edição de 19.12.2018 | Sociedade

O leilão da refinaria de açúcar DAI - Sociedade de Desenvolvento Agro-Industrial S.A., localizada em Coruche, rendeu cerca de 2,4 milhões de euros, valor que ficou muito longe dos 8,1 milhões de euros que rondam o total da dívida e também insuficiente para pagar aos trabalhadores os 3 milhões de euros que reclamam. O leilão decorreu na sexta-feira, 7 de Dezembro.
Dos cerca de 50 licitadores inscritos, nenhum licitou a proposta base de 8,1 milhões de euros, para a venda na globalidade daquele património. Três milhões de euros foi a oferta máxima, que não foi aceite pelos representantes dos três bancos credores hipotecários (Millenium BCP, Montepio Geral e Santander Totta).
A representante dos trabalhadores, Teresa Neves, foi a única que defendeu essa licitação. “Três milhões é o valor que devem aos trabalhadores”, valor relativo a salários que ficaram por pagar e indemnizações. “Para nós, tinha sido muito bom ver este desfecho hoje, com a venda da fábrica na globalidade pelos 3 milhões”, referiu.
A venda, por lotes, dos equipamentos, rendeu o valor de 2,4 milhões de euros. A comissão de credores tem agora que decidir se o prédio urbano e o prédio misto, onde se encontra o edificado, serão alvo de novo leilão ou de oferta em carta fechada. O juiz do Tribunal de Comércio de Santarém só decidirá a rateação de créditos pelos credores quando o processo estiver encerrado. Ou seja, quando conseguirem vender a totalidade da fábrica, explicou Carlos Gonçalves, representante do administrador de insolvência, Pedro Garcia Proença.
Para Teresa Neves tudo será “mais difícil” a partir de agora. “É muito terreno, vai ser muito mais difícil a partir de agora”.

DAI durou vinte anos

A empresa foi constituída em Março de 1993 e a unidade industrial começou a funcionar em 1997, para transformar açúcar de beterraba. Com a retirada dos apoios da União Europeia ao sector da beterraba sacarina, a empresa começou a definhar e em 2007 conseguiu uma autorização especial para fabricar açúcar de cana, numa quota até 65 mil toneladas ano. Na altura a fábrica empregava 130 pessoas e foram investidos cerca de oito milhões na reconversão da maquinaria.
Em 2016, a DAI entra em layoff e foi alvo de um Processo Especial de Revitalização (PER), em Fevereiro de 2017, que não conseguiu cumprir. Já este ano surgiu um investidor egípcio que ainda chegou a fazer investimento na fábrica, no entanto nunca concretizou o que seria o projecto que teria para implementar. As incertezas começam a surgir no seio dos trabalhadores e houve um que efectuou o pedido de insolvência da empresa. Essa acção levou ao fim da empresa numa assembleia de credores, no mês de Setembro.

Leilão da fábrica de açúcar de Coruche não chega para pagar aos credores

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...