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Oito funcionários do IAPMEI acusados de corrupção na análise de projectos
foto Ana Baião (jornal Expresso) António Cabrita gerente da consultora Gorin, relatou várias situações ilegais

Oito funcionários do IAPMEI acusados de corrupção na análise de projectos

António Cabrita, consultor da Gorin, denuncia abuso de poder no IAMPEI e acusa oito funcionários de pedirem dinheiro para aprovarem projectos candidatos a fundos comunitários.

Edição de 19.12.2018 | Sociedade

A Polícia Judiciaria e o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) estão a investigar oito funcionários do IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação – suspeitos de exigir subornos em troca da aprovação de fundos comunitários para empresas.
António Cabrita, gerente da consultora Gorin, foi o empresário que relatou várias situações ilegais e fez a denúncia de actos de corrupção e abuso de poder. O caso remonta já a 2016. António Cabrita terá adiantado na denúncia que um funcionário lhe pediu dinheiro para desbloquear um problema. “Ligaram-me a pedir 40 mil euros”, contou ao Expresso, que foi quem noticiou este assunto em primeira mão.
O empresário disse ainda que não aceitou ser corrompido, e que a partir daí soube que os técnicos recomendaram a vários clientes que não trabalhassem com a Gorin nas candidaturas aos fundos comunitários, no âmbito dos programas QREN e Portugal 2020.
António Cabrita diz que até essa altura sempre conseguiu que 98% das candidaturas fossem aprovadas. Depois disso “nove candidaturas foram chumbadas pelo IAPMEI só num ano”. A consultora terá um prejuízo que ronda os 300 mil euros, não contando com o prejuízo dos seus clientes cujas candidaturas ficaram pelo caminho e que rondam 14 milhões de euros.
O empresário diz ainda que o que o move não é só o elevado prejuízo financeiro da sua pequena consultora, mas também a reputação como consultor, que foi posta em causa por não ter querido subornar os técnicos do IAPMEI. Acrescentou ainda que já trabalhou com empresas dos grupos de Belmiro de Azevedo, de Américo Amorim, entre muitas outras, e que não admite que “técnicos corruptos do IAPMEI o façam sair da vida activa pela porta pequena”.
O consultor refere que tentou sem êxito falar com Pedro Cilínio, que dirige a área dos incentivos do IAPMEI, e que tem consciência de que dificilmente as suas candidaturas serão aprovadas após esta denúncia pública, apelando à coragem de outros consultores e empresários para denunciaram situações semelhantes.
Em conversa com O MIRANTE acentuou o facto de haver no IAPMEI uma anarquia que permitiu que pessoas de carácter duvidoso tenham tomado conta da instituição. Justificou a acusação dizendo que há muitas contradições na tomada de decisões das chefias.
“A comunicação social tem falado só da minha queixa por actividade corrupta, mas gostava de salientar que também fiz queixa por abuso de poder”, referiu.

DENÚNCIAS DESCONHECIDAS NO MINISTÉRIO E NO IAPMEI
O MIRANTE soube entretanto que o gabinete do ministro-adjunto e da Economia não tem conhecimento das denúncias, assim como no IAPMEI não há conhecimento de quaisquer casos de corrupção ou de acusação de funcionários por actos praticados à margem da lei.

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