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Projecto megalómano da RPP Solar acaba em leilão
Alexandre Alves durante uma visita ao projecto da RPP Solar, acompanhado por Nelson de Carvalho, pela então governadora civil Sónia Sanfona e pela presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque

Projecto megalómano da RPP Solar acaba em leilão

Fábrica ligada às energias renováveis prevista para o concelho de Abrantes não saiu do papel. Foram muitas as polémicas que envolveram o processo, desde logo pelas facilidades concedidas ao controverso empresário Alexandre Alves pela Câmara de Abrantes, então liderada por Nelson de Carvalho. A autarquia investiu um milhão de euros num terreno na Concavada que vendeu por um décimo do valor à empresa. E mesmo assim não viu a cor do dinheiro.

Edição de 26.12.2018 | Sociedade

O terreno no Casal Curtido, no concelho de Abrantes, para onde esteve previsto um mega empreendimento ligado às energias renováveis do empresário Alexandre Alves, està à venda em leilão electrónico com um valor base de três milhões de euros, no âmbito do processo de insolvência da empresa RPP Solar - Energias Solares S.A.
Na página da Leilões Paraíso na Internet (www.cparaiso.pt) está à venda um terreno para construção com área total de 828.750 metros quadrados (m2), sendo a área bruta de construção de 26.893 m2. No mesmo lote é englobado ainda um pavilhão inacabado, com cerca de 20.000m2, resquício do projecto gorado para aquele terreno da freguesia da Concavada, junto à Central do Pego.
O processo da RPP Solar fez correr rios de tinta e agitou a vida política abrantina na última década, desde logo pela forma como em 2009 a Câmara de Abrantes, então liderada pelo socialista Nelson de Carvalho, facilitou a vida ao polémico empresário Alexandre Alves, adquirindo um terreno na freguesia da Concavada por um milhão e 100 mil euros que vendeu à empresa por uma décima parte desse valor, nunca tendo recebido o dinheiro. Situação que deu origem a um processo em tribunal. A intenção, na altura, era viabilizar a implantação dessa indústria no concelho mas a forma como foi desenvolvido o processo suscitou muitas dúvidas e críticas.
Dúvidas e críticas que se multiplicaram quando se soube que Nelson de Carvalho, em 2010, após deixar a autarquia, fora convidado para um cargo dirigente na estrutura da RPP Solar. O ex-presidente da Câmara de Abrantes confirmou na altura que tinha sido convidado para trabalhar na RPP Solar, com o cargo de director de formação e projectos especiais da empresa, mas nunca chegou a exercer funções na empresa de Alexandre Alves, porque o projecto nunca chegou a arrancar.

Um projecto megalómano
Quando foi anunciado publicamente, em 2009, o projecto da RPP Solar, empresa liderada por Alexandre Alves, previa começar a produzir painéis foto-voltaicos logo em Janeiro de 2010. O complexo, junto à Central Termoeléctrica do Pego, devia ocupar 82 hectares. Inicialmente falava-se de um investimento global de 818 milhões de euros e na criação de 1800 novos postos de trabalho, três centenas dos quais para engenheiros e quadros superiores. O anúncio foi feito por Alexandre Alves após a assinatura do protocolo entre a Câmara de Abrantes e a RPP – Retail Parks de Portugal, SPGS, SA que teve lugar no dia 1 de Outubro de 2009, no salão nobre dos Paços do Concelho.
O projecto visava a instalação de sete unidades industriais, cinco a sete torres eólicas, painéis solares e turbinas de co-geração, que trabalhariam 24 horas por dia. Perspectivava-se também a criação de um centro de investigação que ocuparia 300 engenheiros e investigadores no domínio da energia fotovoltaica.

Projecto megalómano da RPP Solar acaba em leilão

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