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Quedas de doentes das janelas do Hospital de Santarém alarmam entidade reguladora
Duas pessoas já caíram das janelas do hospital de Santarém

Quedas de doentes das janelas do Hospital de Santarém alarmam entidade reguladora

ERS defende a implementação de medidas que evitem esse tipo de ocorrências. Em Junho de 2018 ocorreram dois casos, um deles mortal.

Edição de 26.12.2018 | Sociedade

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recomendou ao Hospital Distrital de Santarém (HDS) a adopção de medidas que previnam a ocorrência de quedas, na sequência do caso de uma mulher que sofreu ferimentos graves após cair do primeiro andar dessa unidade de saúde.
O caso aconteceu no dia 14 de Junho e foi noticiado por O MIRANTE. A mulher, de 64 anos, residente no concelho de Santarém, estava internada no serviço de psiquiatria, e sofreu ferimentos graves que obrigaram à sua transferência para o Hospital de São José, em Lisboa. Mas, duas semanas antes, um homem de 73 anos morrera ao atirar-se do nono andar. Na altura a vítima, que residia em Coruche e estava internada com um tumor, deslocou-se até à janela, partiu o vidro e atirou-se.
Questionado pela ERS, o Hospital de Santarém explicou que a mulher deu entrada no serviço de urgência no dia 13 de Junho por “tentativa de suicídio com faca e com saco”. Segundo o HDS, “a doente não forneceu história, vinha em mutismo, não estava colaborante, não tinha família a acompanhá-la” e, por se encontrar inquieta, foi imobilizada na cama por risco de queda.
No dia seguinte, a doente apresentava-se mais comunicativa e pediu para se levantar e ir à casa de banho. “Apresentava-se calma, aparentemente orientada no tempo e no espaço, tendo sido observada nas zonas comuns a aguardar um duche livre, para cuidar da sua higiene pessoal”, relata o hospital.
No início da passagem de turno, toda a equipa procurou a doente pelo espaço do internamento, tendo uma enfermeira visto um chinelo no parapeito da janela da sala de enfermagem, que se encontrava encostada, tendo ouvidos gemidos.
“A doente encontrava-se na junção de duas partes do telhado”, no meio de tubos, o que dificultou a remoção imediata, pelo que “foi acionado o 112 e os bombeiros com vista à retirada da maca, por entre aqueles tubos e por via de parede externa do telhado, para tanto utilizando-se várias escadas e uma pequena grua”, conta o hospital.

“HDS não acautelou o devido acompanhamento da utente”
O hospital assegura que toda a zona do internamento e áreas comuns se encontra dotada de gradeamentos ou protecções que impedem a abertura das janelas. Só que o incidente ocorreu na sala de enfermagem, que tem várias pequenas janelas, mas apenas uma delas pode ser aberta para arejamento. O acesso da doente àquela sala só foi possível porque naquele momento não estava fechada à chave, contrariamente ao que é hábito acontecer, justifica o hospital.
A ERS concluiu que “o prestador não acautelou o devido acompanhamento da utente, durante todo o período de internamento, garantido uma permanente e efectiva monitorização da mesma, apta a garantir o cumprimento do dever de prestação de cuidados de saúde de qualidade e com segurança, imposto ao prestador”.
Nesse sentido, recomenda ao hospital que reveja “as medidas e/ou procedimentos existentes para avaliação do risco de queda dos utentes e prevenção da sua ocorrência, assegurando a existência de zonas específicas para doentes de elevado risco de queda e agitação, com o objectivo de garantir, em permanência, a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados”.

Quedas de doentes das janelas do Hospital de Santarém alarmam entidade reguladora

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