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“O Natal não é pessoas em centros comerciais à briga por causa de prendas”
Miguel Roque, sócio-gerente do Centro Médico Dentário Joaquim Salvador Roque tem 33 anos

“O Natal não é pessoas em centros comerciais à briga por causa de prendas”

Miguel Roque, sócio-gerente do Centro Médico Dentário Joaquim Salvador Roque em Samora Correia.

Edição de 20.12.2018 | Três Dimensões

Tem 33 anos e é formado em ciências farmacêuticas. Depois da morte do avô e do pai decidiu meter mãos à obra e manter em funcionamento aquela que é uma clínica histórica da cidade de Samora Correia. Miguel Roque diz que a experiência tem sido boa e os utentes estão satisfeitos mas confessa que, como gerente, não consegue desligar-se do trabalho. Benfiquista ferrenho, só vê jogos ao vivo porque ver na televisão o enerva muito mais. Gosta do Natal por ser uma época de reunião da família mas diz que a época está refém do consumismo.

Sou uma pessoa que foi aprendendo a ser calma. Mas ainda me enervo quando as pessoas não são sinceras nem coerentes. Irrita-me a falta de compromisso. A palavra dada deve mesmo ser palavra honrada.
Gerir a clínica tira-me o sono porque é uma coisa que nunca pára. Quando somos empregados chega a hora de sair e vamos para casa sem pensar mais nos problemas. Aqui são 24 horas sobre 24 horas a pensar nos desafios que há para resolver. E com os telemóveis ainda é mais difícil parar.
Sou um benfiquista ferrenho que acompanha ao vivo praticamente todos os jogos. E não me fico pelos jogos em Portugal. Também vou ao estrangeiro. Raramente vejo um jogo na televisão porque fico mais nervoso do que no estádio. O ambiente ao vivo ajuda a espairecer e a acalmar. Um dos meus sonhos era ver ao vivo o Benfica ganhar uma final da Liga dos Campeões.
Não gosto do Natal e naquilo em que se transformou. Não faz sentido nenhum todo este consumismo. Para mim o Natal é a reunião entre a família, as pessoas poderem juntar-se e conviverem. Não faz muito sentido ver os centros comerciais cheios de gente, com pessoas à briga pelas prendas. O espírito não é esse.
A minha paixão pelo Benfica não é a mais importante. O mais importante na minha vida é a família. Sou casado e espero um dia vir a ser pai. Gosto de ver todos bem à minha volta.
Desagrada-me este tipo de Natal em que é só o dar prendas por dar. Às vezes andamos à procura de uma prenda e nem sabemos se a pessoa a quem ela se destina a vai apreciar ou não. O marketing é tão forte que se apoderou do Natal. Devíamos dar mais aos outros um pouco de nós, amor, carinho, tempo. Esses são os sentimentos que devíamos dar.
Fui para a área da farmácia porque gostava de química e biologia. Se fosse hoje não era isso que eu teria seguido mas sim economia, gestão ou algo ligado às tecnologias de informação. O meu avô, o médico Joaquim Salvador Roque, era uma pessoa bastante conhecida em Samora. Foi um dos primeiros médicos aqui. Era uma pessoa com um grande espírito de missão que nunca recusava ajudar ninguém.
A clínica abriu na casa onde o meu avô vivia, nos anos sessenta, Naquele tempo não havia centro de saúde e as pessoas quando precisavam iam a casa dela a qualquer hora. Quando ele morreu o meu pai ficou à frente da clínica e eu sucedi-lhe quando ele faleceu, em 2017. Não quis que uma casa com tanta história fechasse a porta. A vida continuou e as coisas estão a correr bem. Hoje temos connosco cinco médicos.
Não estou arrependido de ter mantido a clínica aberta e o objectivo é continuar a crescer. Em 2019 assinalamos os 50 anos da clínica e temos um projecto para fazer uma remodelação e crescer em termos de espaço. Vamos avançar com mais algumas especialidades em áreas onde não há muita resposta em Samora Correia.
O que me motiva é ter a certeza que tanto o meu pai como o meu avô iriam ficar contentes com a continuidade da clínica. O nosso segredo é a qualidade dos serviços; dos materiais e da formação das pessoas. Isso é o que nos diferencia. Sei que há mais barato mas para dar um serviço de qualidade aos nossos utentes não podemos entrar na linha dos preços “low-cost” (Baixo custo). Não digo mal do trabalho dos outros mas não compreendo como podem trabalhar com aqueles valores. Afinal toda a gente sabe que o barato acaba por sair caro e que não se fazem omeletas sem ovos.
Não tenho medo de ir ao dentista. A maioria das pessoas tem algum receio porque antigamente não se tratavam os dentes e a certa altura a única solução era arrancar. E muitas vezes eram extracções sem anestesia. Hoje em dia não é assim e há uma grande preocupação em evitar causar dores.

“O Natal não é pessoas em centros comerciais à briga por causa de prendas”

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