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Presidente da Casa do Povo da Chamusca acusada de enganar o tribunal

Ministério Público diz que dirigente deu informações falsas para tirar dinheiro das contas apreendidas.

Edição de 13.02.2019 | Sociedade

A presidente da Casa do Povo da Chamusca engendrou um esquema para enganar o tribunal e furar a ordem judicial de apreensão das contas da instituição, segundo descreve o Ministério Público. A situação foi comunicada ao processo em que Maria Leonor Feiteiro e a sua secretária na direcção, Maria Teresa Brás, são acusadas de terem lesado a casa do povo em 169 mil euros. As contas tinham ficado sob a alçada do tribunal precisamente para evitar que mais dinheiro desaparecesse, mas mesmo assim a dirigente conseguiu desviar mais quase sete mil euros.
As contas tinham sido apreendidas através de despacho judicial de Outubro de 2016. Já depois disso, Maria Leonor é acusada de ter prestado falsas informações ao tribunal, fazendo com que este pagasse, das contas da instituição, obras que não deveria ter pago. Algumas delas feitas em casa da presidente. Neste esquema está envolvido um funcionário da Câmara da Chamusca e o seu cunhado, que passou uma factura à casa do povo por obras no pavilhão propriedade da instituição e arrendado para loja chinesa.
Os trabalhos de serralharia realizados pelo funcionário municipal, foram pagos pelo empresário chinês. Mas a presidente, vendo uma oportunidade de ganhar mais algum dinheiro, pediu ao trabalhador para passar uma factura em nome da casa do povo, segundo apurou o Ministério Público. O homem pediu então ao cunhado para fazer a factura. A presidente fez então chegar o documento ao tribunal, que convencido da autenticidade do documento e da veracidade da informação prestada ordenou o pagamento.
Em Dezembro de 2016, segundo apurou o Ministério Público, Maria Leonor solicitou ao tribunal que desbloqueasse cinco mil euros para pagar a pedreiros e um serralheiro para pagar obras, que, segundo a acusação, não foram feitas nos imóveis da Casa do Povo da Chamusca, mas sim em casa da dirigente. Para o Ministério Público, a presidente sabia bem que a informação que mandou ao tribunal era falsa.
Conforme O MIRANTE noticiou na edição da semana passada, a presidente é acusada de, com a ajuda da secretária, ter usado dinheiro da casa do povo em proveito próprio, fazendo levantamentos no multibanco e passando cheques, além de pagar combustíveis para o carro da filha e contas de telemóveis. Ambas estão ainda acusadas de terem beneficiado o filho de Maria Teresa Brás, ao meterem uma casa da instituição em nome dele, sem qualquer contrapartida. A Casa do Povo é proprietária de cerca de seis dezenas de imóveis. Desde 2008 que a instituição não desenvolve actividades de animação ou solidariedade social. O caso do desaparecimento dos 169 mil euros está em fase de instrução criminal, pedida pelas arguidas, após o Ministério Público ter mandado o caso para julgamento. Cabe agora ao juiz de instrução decidir se o caso segue para julgamento e por que crimes.

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