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“Não vale a pena sofrer demasiado por coisas sem importância”
André Pedro lamenta que a medicina dentária não esteja integrada no Serviço Nacional de Saúde

“Não vale a pena sofrer demasiado por coisas sem importância”

André Pedro, 30 anos, director clínico da Carlos Manuel Monteiro Serviços Dentários, Cartaxo.

Edição de 13.02.2019 | Três Dimensões

André Pedro é uma pessoa calma que não gosta de sofrer por antecipação. É de Queluz mas a avó vive no Cartaxo. É médico dentista e actor de teatro de improviso. Não se vê a mudar de profissão nem a deixar a sua ocupação amadora. Diz que não se justifica ainda haver gente com medo de ir ao dentista. Gosta de estar com amigos e se pudesse faria uma longa viagem pela América do Sul.

O teatro ajuda-me a espairecer e esquecer os problemas do dia-a-dia. Comecei já depois de ter acabado a faculdade. Estou em dois grupos de Lisboa, o “Cardume” e o “Improvisto”. Apresentamos espectáculos regularmente.
O que me espanta em algumas pessoas é a ansiedade exagerada. Não vale a pena sofrer demasiado por coisas sem importância. É o que eu tento fazer no meu dia-a-dia. Também não compreendo a falta de crença no trabalho que se faz e naquilo que se diz.
Na altura de decidir o que estudar, hesitei entre fisioterapia e medicina dentária. Agora que sou dentista posso dizer que fiz uma boa escolha. Estou a gostar e não me vejo a mudar de profissão. Gosto muito da parte de cirurgia mas também da relação com as pessoas.
O que nos distingue das outras clínicas é o contacto directo que temos com o paciente. É bom trabalhar por especialidades porque conseguimos fazer melhor numa área específica. Se dominarmos todas, não podemos ser bons em todas elas. Mas isto decorre do avanço da medicina. Com o conhecimento adquirido ao longo dos tempos é impossível a um médico acompanhar todas as áreas.
Ainda há pessoas com pavor de ir ao dentista mas são cada vez menos. Já há novas formas de atenuar a dor muito eficazes. Antigamente tiravam-se dentes só porque doía. Hoje em dia isso é impensável e o objectivo é manter o dente original.
Sou de Queluz mas tenho a minha avó a viver no Cartaxo e por isso há um dia por semana que fico aqui na região. A clínica Carlos Manuel Monteiro Serviços Dentários do Cartaxo abriu em 2015 e tem outra em funcionamento em Alverca. Entre as nossas especialidades estão a ortodontia, prótese fixa e removível, endodontia, cirurgia oral, implantologia, dentisteria e odontopediatria. Temos também acordos com ADSE, GNR, PSP, Medicare, Interpass, Zurich e SAMS Quadros.
Em termos de saúde oral ainda não se faz a prevenção necessária. Não diria que a culpa é só das pessoas mas também por causa da medicina dentária não estar integrada no Serviço Nacional de Saúde. Como isso não acontece muitas pessoas não têm condições financeiras para tratar dos seus dentes. A nossa saúde geral depende muito de uma boa saúde oral. Devia ser dada outra atenção à medicina dentária.
Consumirmos muitos alimentos processados também contribuiu para problemas dentários. Infelizmente ainda vai sendo mais fácil e imediato comer algo que se tem à mão do que parar para se ter uma alimentação equilibrada.
Temos de ser humildes para perceber quando não estamos habilitados para resolver determinado problema. Há situações em que temos de pedir ajuda e encaminhar o doente. Há que ser honesto connosco e com os pacientes. Não temos de saber fazer tudo nem ninguém sabe fazer tudo.
Não corro atrás de sonhos e gosto de viver o dia-a-dia. Sinto-me bem e feliz. Quero continuar a investir na medicina dentária e no teatro e manter a vida preenchida que tenho. As pessoas deviam ir mais ao dentista mas também ao teatro. Devia haver mais apoios.
Gosto de viajar mas não tenho um destino de eleição. Gostava de fazer uma viagem mais longa pela América do Sul e explorar zonas menos turísticas. Gosto de estar com os amigos, ir a um café e ficar a conversar.
Sinto que podia ter aproveitado mais a Faculdade mas agora não voltava lá. Não tenho nada de que me arrependa. Quero procurar a sorte e estabelecer bastantes relações com pessoas nesta área. Relações sinceras que possam dar frutos no futuro.

“Não vale a pena sofrer demasiado por coisas sem importância”

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