Sociedade | 03-12-2004 16:58

Violência doméstica aumenta na região

No dia 2 de Agosto deste ano Leonel Rijo, residente em Samora Correia, matou a sua companheira com um tiro. E de seguida suicidou-se com um segundo disparo de caçadeira. Foi mais um dos casos que todos os anos engrossam as estatísticas da violência doméstica na região. Na área da GNR foram registadas 72 ocorrências entre Janeiro e Outubro deste ano. A PSP no distrito, até Setembro, já contabilizava 138 queixas mais 39 na área de Vila Franca de Xira. Leonel Rijo, 38 anos, deixou um bilhete ao filho de onze anos no qual explicava as razões para o acto. Dizia o papel deixado no carro onde seguiu com a mulher, de 29 anos, para um local ermo junto do canal do Sorraia, que a vida do casal não estava a correr bem. Um mês antes, em Vila Franca de Xira, António Grilo, 41 anos, suicidou-se com um tiro de pistola na cabeça depois de ter baleado a mulher com dois tiros. O trágico desfecho deu-se depois de uma acalorada discussão. A mulher acabou por se salvar. Os casos e os números dão que pensar e têm vindo a preocupar as autoridades. Até porque, reconhece a PSP e a GNR, nem todos os casos de agressão doméstica são denunciados. É por isso que o Grupo Territorial de Santarém da GNR criou recentemente uma equipa especializada para tratar destes casos. E decidiu chamar-lhe NMUME – Núcleo Mulher Menor, porque é o sexo feminino que mais sofre com a violência física e psicológica (ver caixa). Nas cidades policiadas pela PSP, Santarém lidera as negras estatísticas da violência doméstica com 43 casos. Vila Franca surge em segundo com 39. Seguem-se Tomar (24), Torres Novas e Cartaxo (20), Entroncamento (17), Abrantes (9), Fátima (3) e Ourém (2). As estatísticas da PSP permitem também identificar os períodos mais complicados, que coincidem com os meses em que os portugueses vão ou regressam de férias. Mas o início do ano também não é pacífico. Setembro é até agora o pior mês com 27 casos. Junho e Agosto têm 20 cada e Julho tem 16. Em Janeiro a polícia recebeu 18 queixas com Torres Novas no topo da tabela (6). Nos dados existentes na secção de investigação criminal da GNR percebe-se que as vítimas não são apenas as mulheres. Dos 68 casos registados nos primeiros nove meses de 2004 aparecem quatro situações de violência doméstica contra menores até aos 16 anos. E não se julgue também que são só os homens que batem nas mulheres. Também há casos, sete até ao momento, praticados por pessoas do sexo feminino. A GNR registou também nove situações de filhos que bateram nos pais. A maioria das vítimas de violência doméstica tem mais de 25 anos de idade.Os 249 casos registados até agora na região escondem outros tantos ou mais que não são denunciados. Na perspectiva do chefe da secção de investigação criminal do Grupo Territorial da GNR de Santarém, capitão Lopes Pereira, “Há muita violência encapotada, inclusivamente contra crianças”. E por isso aconselha as pessoas a denunciarem as situações de maus-tratos, até porque a violência doméstica passou a ser um crime público e não está dependente de queixa das vítimas.

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