Sociedade | 04-12-2004 17:54

Modelos despem-se em protesto contra a venda de peles de animais

Duas manequins vestidas com casacos de pele e pintadas de vermelho despiram-se hoje perante o olhar de muitos curiosos em frente à cadeia de lojas "El Corte Inglês", Lisboa, para protestar contra o comércio de peles de animais.

Perante um grande aparato de jornalistas, curiosos e polícias, as modelos chegaram cobertas com casacos de pele verdadeira de leopardo e raposa e rapidamente se despiram numa encenação destinada a demonstrar que é preferível estar nu a usar peles.Já completamente despidas, as manequins ostentaram um cartaz em que se podia ler: "Eu prefiro andar nua do que usar peles".A encenação durou cerca de cinco minutos e mereceu o aval de muitos populares que concordaram com esta iniciativa inédita, promovida pela associação Animal, que pretendeu explicar "o horror" porque passam os animais cujas peles são utilizadas para fins comerciais, adiantou o director da associação, Miguel Moutinho.Miguel Moutinho explicou que as manequins estavam pintadas de vermelho "para recriar o sofrimento dos animais" e que os casacos que traziam tinham sido doados à associação para fazer esta acção.Os casacos, que foram pisados e pintados com um spray pelas modelos para mostrar o repúdio pela morte dos animais, vão ser entregas à PETA (organização mundial de defesa dos direitos dos animais)."A PETA promoveu um acção de recolha de casacos de pele para serem enviados para o Afeganistão, onde o clima é frio e há muita pobreza. Se não os conseguirmos enviar para este país, vamos entregá- los numa instituição de sem-abrigo", sublinhou à Lusa o director da associação.A entrada principal do "El Corte Inglés" foi decorada com vários cartazes que alertavam para o sofrimento dos animais e que despertavam a atenção de quem passava.Em declarações aos jornalistas, o vice-presidente da Animal, Álvaro Braga, fez questão de afirmar que esta acção "não foi um ataque ao El Corte Inglés", mas a todas as lojas que vendem peças de roupa feitas com peles de animais.Álvaro Braga congratulou-se por algumas lojas como a Mango, a Zara e o Massimo Dutti irem deixar de vender estes artigos já no próximo ano."Enquanto uma loja de referência como o El Corte Inglês se mantém surdo e mudo perante aquilo que são os tempos actuais, outras lojas decidiram a partir de 2005 não comercializar mais peles finas e peles com pelo", disse.Para o responsável, a decisão destes estabelecimentos teve também objectivos comerciais: "em cada pele vendida há quinze ou vinte clientes perdidos".

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