Sociedade | 10-12-2004 16:38

Música condicionada pela falta de notas

O projecto de expressão musical da Sociedade Euterpe Alhandrense (SEA) foi suspenso nas freguesias de Sobralinho e São João dos Montes e resume-se agora à casa mãe em Alhandra. O projecto dinamizado pelo Conservatório Salvador Marques nas escolas do primeiro ciclo das três freguesias, há três anos, envolvia quase 900 alunos e custava cerca de 70 mil euros anuais. A falta de apoios do Estado levou à sua suspensão depois de acumulados atrasos no pagamento das remunerações dos monitores.Mais de 500 alunos ficaram sem qualquer contacto com a educação musical e juntaram-se aos de Castanheira do Ribatejo, a primeira freguesia a receber o projecto que foi suspenso no segundo ano.O presidente da SEA, Jorge Zacarias lamentou o sucedido e garantiu a O MIRANTE que “esta semana todos os monitores terão as contas regularizadas”.A contenção foi palavra de ordem no ano em curso e marcou também as comemorações dos 142 anos de vida da Sociedade Euterpe Alhandrense, a mais antiga das colectividades do concelho de Vila Franca de Xira. A sessão solene decorreu no dia 1 de Dezembro e com o auditório da SEA quase cheio de um público entusiasta que não poupou aplausos à prata da casa. O músico José Maçarrão regressou ao palco da Euterpe com o seu saxofone e acompanhou a banda de onde saiu para a Escola Superior de Música. O músico Joaquim Bandeira foi homenageado pelos 50 anos de dedicação à banda e os sócios com 25 e 50 anos de filiação também foram distinguidos.Segundo o presidente da direcção da SEA, apesar das dificuldades criadas pela falta de financiamento do Ministério da Educação, a colectividade irá manter o projecto de expressão musical em Alhandra. “Mais uma vez estamos a substituir o Estado porque este apoio está previsto num despacho governamental”, disse.O projecto visa o primeiro contacto das crianças com a educação musical e integra uma vertente oficial, integrada nos programas curriculares que deveria ser suportada pelo Ministério da Educação, e outra vertente artística.A falta de apoio do Estado criou um fosso nas contas da SEA que será eliminado com a suspensão do projecto nas duas freguesias vizinhas. A SEA tem cerca de dois mil sócios e 600 praticantes das várias actividades culturais e desportivas, mas as receitas são sempre inferiores às despesas. Jorge Zacarias, 44 anos, é presidente da associação há 15 anos e considera que este tem sido um dos mandatos mais complicados. O líder ainda não sabe se irá recandidatar-se nas eleições de Janeiro, mas admite continuar.“Temos projectos para continuar”, afirmou. Nelson Silva Lopes

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