Sociedade | 21-01-2005 10:17

Procura-se terreno para acampamento cigano

Câmara de Azambuja quer que quatro famílias ciganas abandonem um terreno que ocupam em Vila Nova da Rainha há mais de dois anos. O espaço pertence à cooperativa Sócasa que pretende continuar a desenvolver um projecto imobiliário. Na terça-feira um movimento popular impediu a sua mudança para debaixo da ponte da A1 A uma semana do prazo dado pela Câmara de Azambuja, as quatro famílias ciganas que ocupam um terreno em Vila Nova da Rainha ainda não encontraram soluções. As reuniões realizadas ao longo de alguns meses com junta de freguesia, câmara e GNR não surtiram efeito. A autarquia deu 27 de Janeiro como data limite para abandonarem o terreno.Uma solução esteve perto de ser encontrada na segunda-feira, quando se acordou que seriam colocados contentores, com água e luz debaixo da ponte da A1, no limite dos concelhos de Azambuja e Alenquer.Mas, segundo o vereador José Manuel Pratas, alguns proprietários que moram perto do local manifestaram-se contra a ida das famílias ciganas, inviabilizando a solução. Recorde-se que um acordo do género estava previsto até 13 de Dezembro de 2004, o que não aconteceu. Em 10 de Janeiro, funcionários da autarquia deslocaram-se a Vila Nova da Rainha para cumprir o estipulado e terão encontrado cerca de 30 pessoas, sem qualquer vontade de se mudarem. Dois dias depois, elementos da GNR de Azambuja deslocaram-se ao acampamento para sensibilizar as famílias para que tudo se resolvesse a bem. O espaço ocupado pelo acampamento tem perto de mil metros quadrados e situa-se na zona de construção de moradias da Sócasa – Cooperativa de Habitação Económica de Azambuja. Para o presidente da Sócasa, não existe outra solução que evite a saída das famílias daqueles terrenos. Segundo Joaquim Carvalho, a cooperativa tem cerca de 20 fogos para entregar brevemente, havendo já famílias em lista de espera, com andares vendidos e preparadas para a mudança. A primeira fase do projecto prevê a construção de 50 fogos, sendo necessário o terreno ocupado pelas famílias ciganas para poder avançar. No total, estão previstos 173 apartamentos e moradias. “Há ainda alterações a fazer no que respeita a postes da EDP, ligações de saneamento e, por isso, temos que avançar com as obras”, referiu a O MIRANTE Joaquim Carvalho.Quem não sabe o que fazer são as cerca de 30 pessoas que vivem no acampamento. Segundo Nuno Cardoso, a câmara falou em colocar contentores debaixo do viaduto da A1, na extrema dos concelhos de Azambuja e Alenquer, instalando água e electricidade, mas mudou de opinião na terça-feira.“O vereador diz para encontrar-mos terreno mas não temos possibilidade, senão não estávamos aqui. Ainda por cima diz para nós irmos falar com um proprietário que nos indicou, quando a câmara é que podia fazer isso”, afirmou-nos.Os pais estão preocupados com a saúde das dez crianças que ali habitam em péssimas condições de higiene, algumas com apenas alguns meses de idade. E reafirmam que não saem daquele terreno enquanto não lhes forem dadas alternativas.

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