Sociedade | 22-01-2005 21:37

Ciúmes terão estado na base de triplo homicídio seguido de suicídio

A desconfiança de que a mulher o andava a trair terá levado, sexta-feira à tarde, Jusmino Vila Real a cometer um triplo homicídio seguido de suicídio, na pequena aldeia de São Xisto, em S. João da Pesqueira.

"Tudo leva a crer que se tratou de uma questão passional. O homem andava com ciúmes do outro, que acabou por matar", disse hoje à Agência Lusa José Machado, comandante do destacamento da GNR de Moimenta da Beira.Segundo José Machado, o homem, 60 anos, terá assassinado primeiro a mulher (Maria Alice Ribeiro), 64 anos, na sua própria casa, "saindo depois à rua e abatido o outro casal, um homem de 77 anos (Ernesto Ermidas) e uma mulher de 76 (Etelvina Lopes)", e depois regressado a casa, suicidando-se.Alguns populares contactados pela Lusa partilharam da opinião da GNR, até porque os dois casais, apesar de serem confrades - o filho de Jusmino é casado com a filha de Ernesto - já não se falavam há alguns anos."É o que diz o ditado: uma cisma é pior que uma doença, e é bem verdade", afirmou Valdemar Granja, um dos três habitantes que restaram na aldeia.Segundo Valdemar Granja, "de vez em quando lá se ouviam eles a discutir, mas andavam sempre juntos, ontem (sexta-feira), até tinham saído depois de almoço".As desconfianças eram também conhecidas em Vale de Figueira, freguesia a que pertence São Xisto."Ela era muito boa rapariga, aquilo era coisa da cabeça dele.Mas dizia-se por aqui que ele, quando saía de casa, deixava-a fechada à chave", contou Isaura Lopes, de 74 anos.Alberto Teixeira também disse à Lusa que "ele já há algum tempo andava a fazer ameaças", mas que nunca pensou que as fosse concretizar.Em São Xisto viviam apenas as quatro pessoas que morreram, Valdemar Granja, 61 anos, e a mulher, e uma viúva, Atília de Jesus, de 68 anos.Valdemar Granja e Atília de Jesus, os únicos que na altura se encontravam na aldeia, contaram ter ouvido tiros, cerca das 17:00."Ouvi tiros, mas como ele andava sempre a limpar as armas, já não era a primeira vez, não me interessei", afirmou a idosa, viúva há ano e meio, que vive numa casa situada no cimo da aldeia.O mesmo se passou com Valdemar Granja: "Andava aqui entretido na minha terra, senti os tiros e não achei estranho, porque ele era caçador e costumava limpar as armas", disse.O alerta acabou por ser dado por trabalhadores da construção civil que estavam perto e encontraram dois dos corpos na rua onde ficavam situadas as casas de ambos os casais.Os corpos estavam de manhã a ser autopsiados, desconhecendo-se ainda a hora dos funerais.

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