Sociedade | 24-01-2005 13:15

Portugueses defendem maior penalização nas estradas

O agravamento da penalização para quem conduz com álcool no sangue ou em excesso de velocidade é uma das medidas defendidas pela maioria dos portugueses que participaram no estudo/projecto SARTRE 3, apresentado hoje em Lisboa."A maioria dos condutores inquiridos diz ser a favor de um agravamento das penalizações", disse à Lusa a sub-coordenadora do projecto (que pretende avaliar o comportamento dos condutores) em Portugal, Catarina Lorga, referindo casos como o álcool e o excesso de velocidade.No entanto, os resultados deste estudo mostram que quatro em cada dez condutores portugueses (42 por cento) gostam de guiar depressa, apesar das multas em vigor em Portugal, que variam entre 60 e 1.200 euros e podem levar à perda da carta de condução por um período entre um e 24 meses.De acordo com Catarina Lorga, a maioria dos inquiridos reconhece a existência de perigo nas estradas mas projecta o risco nos outros."Os infractores são os outros e por isso devem ser punidos", afirmou Catarina Lorga, explicando a tendência do pensamento da maioria dos condutores portugueses (73 por cento).Esta investigadora do ISCTE explicou ainda que o Programa SARTRE, que em Portugal teve a sua primeira edição em 1991, "parte da premissa de que a segurança rodoviária não é só uma questão técnica, mas também humana e social".O objectivo é "conhecer os comportamentos [dos condutores portugueses] para depois actuar", adiantou Catarina Lorga, realçando que Portugal é dos países da União Europeia que regista uma das taxas de fiscalização mais baixas.Jean-Pierre Cauzard, coordenador internacional do SARTRE, defende uma regulamentação mais restritiva e uma fiscalização mais eficaz por parte da polícia nas estradas, com o objectivo de diminuir o número de vítimas.Em Portugal, por exemplo, só nove por cento dos inquiridos foram autuados por excesso de velocidade nos últimos três anos, quando a média europeia é de 18 por cento.Portugal é um dos países onde os números da sinistralidade são mais elevados.Quanto aos limites de velocidade nas estradas europeias, os valores variam entre 50 e 60 quilómetros/hora dentro das localidades e 90 e 130 nas auto-estradas.Relativamente à evolução dos comportamentos dos condutores portugueses desde que se realizou este estudo pela primeira vez, a investigadora realçou como ponto positivo a maior utilização do cinto de segurança.No entanto, 17 por cento dos condutores portugueses considera que uma condução prudente dispensa o uso de cinto de segurança.A diminuição da condução sob os efeitos do álcool também surge neste estudo, embora a especialista considere que ainda haja muito a fazer neste campo para que Portugal, que se encontra acima dos 40 por cento, se aproxime da média europeia (20 por cento)."Os portugueses estão conscientes destes comportamentos, mas ainda não o suficiente para os alterar", concluiu.

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