Sociedade | 03-02-2005 12:07

O outro lado das falências

Mais de 600 trabalhadores de empresas que faliram na última década na região de Vila Franca de Xira continuam à espera do pagamento de indemnizações. Alguns já faleceram, outros já perderam a esperança de reaver a recompensa de uma vida de trabalho.António Beirolas, 74 anos, acaba um cigarro à mesa do Centro de Trabalho do Partido Comunista, no coração da Póvoa de Santa Iria. Ao seu lado amontoam-se dezenas de pendões azuis que dali a algumas horas serão espalhados pela cidade. É o “trabalho pelo partido” que nos últimos tempos tem ocupado o ex-chefe de secção mecânica da Argibay, uma das cinco empresas da região de Vila Franca de Xira que entraram em processo de falência na última década, deixando centenas no desemprego.À semelhança de outros 650 trabalhadores que integravam os quadros das cinco empresas, António Beirolas continua à espera do pagamento dos créditos que lhe são devidos pelo encerramento da firma, que chegou a ser considerada uma das maiores empresas de construção e reparação naval.Depois de reduzir gradualmente o quadro de funcionários de 600 para 159, a Argibay, que laborava há mais de três décadas em Alverca, faliu em 1993, deixando aos trabalhadores uma dívida de mais de um milhão de euros. António Beirolas já perdeu a conta ao dinheiro que lhe cabe. Depois de 33 anos de trabalho saiu com três meses de salário em atraso e indemnização por receber. Nunca compreendeu a estratégia da empresa que tinha trabalhos em carteira para os dois anos seguintes. Os trabalhadores conheciam as falhas de gestão, mas a esperança de que a empresa conseguisse ultrapassar as dificuldades superou os piores receios. “Chegámos a tirar combustíveis de outros barcos para manter as máquinas a funcionar”. Mais desenvolvimentos na edição semanal.

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