Sociedade | 11-02-2005 19:00

Bombas de gasolina de Alverca afastadas das pessoas

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira propôs à Repsol a deslocalização das bombas de gasolina previstas para a Quinta da Vala, em Alverca, para a zona Norte da cidade, perto da rotunda da Silveira. O anúncio foi feito pela presidente Maria da Luz Rosinha numa reunião pública, no dia 2 de Fevereiro, em Alverca e com mais de três dezenas de moradores que contestaram a actual localização.Durante o debate, alguns moradores perderam a cabeça e entraram num diálogo nada cordial com a presidente. A autarca chegou mesmo a levantar-se e, por duas vezes, ameaçou colocar dois munícipes na rua.Segundo a presidente da câmara, os moradores têm motivos para ter esperança na resolução do problema. A Repsol está a avaliar os custos desta alteração, mas não descurou a hipótese de mudar a localização das bombas, desde que venha a ser compensada pelos investimentos já realizados. Rosinha confessou que a direcção do Futebol Clube de Alverca, que cedeu o terreno e está dependente dos proveitos da concessão, não gostou do que ouviu. A autarca confirmou que o presidente do clube tomou conhecimento da proposta pela administração da Repsol e ficou surpreendido com a posição da câmara. Em Dezembro, a maioria socialista tinha considerado impossível a deslocalização das bombas em resposta a uma sugestão do vereador do PSD, Rui Rei. Na altura, a presidente alegou que seria impossível a câmara adquirir os terrenos necessários para a implantação da bomba. A edil considerou ainda que o Futebol Clube de Alverca poderia ser fortemente prejudicado por esta mudança e os atrasos podiam comprometer o arranque do centro de estágio que já tem financiamento garantido por parte do III Quadro Comunitário de Apoio e pelo Estado português.Mas esta inflexão agradou a dezenas de vizinhos do local escolhido para a instalação de 12 bombas de gasolina. Os munícipes “ganharam mais uma batalha” e as cerca de três dezenas que estiveram na reunião garantiram que não baixarão os braços “até ao fim da guerra”. Os munícipes têm travado uma luta jurídica que já levou à anulação do processo de licenciamento e à condenação da autarquia por litigância de má fé com uma multa de 3560 euros. A câmara recorreu da sentença e aguarda a decisão do Tribunal da Relação.Na última reunião de câmara, o advogado Fernando Neves de Carvalho (patrono dos moradores na providência cautelar) responsabilizou a câmara por toda a “trapalhada”. Frisando que estava a falar na condição de munícipe lesado pela eventual construção das bombas, Fernando Carvalho travou um diálogo acalorado com a presidente da câmara e acusou a autarquia de ter ocultado dados importantes no processo judicial que correu no Tribunal Administrativo de Loures e, por essa razão ter sido condenada por litigância de má fé. “Não há memória duma entidade pública ter sido condenada como litigante de má fé”, frisou. Maria da Luz Rosinha sublinhou que a condenação ainda não transitou em julgado porque há um recurso e mostrou-se confiante na absolvição da autarquia. A edil acusou o advogado de estar a agir de “má fé” e chegou mesmo a gritar para o munícipe e a cortar-lhe a palavra. “Agradeço-lhe a douta lição”, concluiu a presidente da câmara.Nelson Silva Lopes

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