Sociedade | 18-02-2005 11:12

Doentes de Alverca esperam pelo médico na rua

Os utentes do novo Centro de Saúde de Alverca queixam-se da falta de espaço nas salas de espera, que obriga dezenas de pessoas a aguardar no corredor a sua vez de serem atendidas.Nas últimas semanas, o surto de gripe que tem afectado grande parte da população piorou a situação, mas os utentes garantem que o problema da exiguidade das salas arrasta-se desde a abertura do novo equipamento, em finais de Junho de 2004.À porta do centro de saúde, José Cengo, 81 anos, aguarda a sua vez encostado a um poste de electricidade. Ainda faltam muitos números para ser chamado pela funcionária e o ar puro é mais agradável que o ambiente da apertada sala de espera.No espaço reservado aos doentes sem médico de família, no primeiro piso, numa das cinco salas de espera que existem no equipamento, depressa se ocupam os cerca de 25 lugares sentados. Resta a quem chega mais tarde o corredor ou a ampla varanda que no Inverno não atrai muitos utentes. “Temos uma varanda que faz duas vezes esta sala”, reclama uma das utentes que na manhã de segunda-feira conseguiu um lugar sentado. Nesse dia, Margarida Fernandes, 72 anos, teve sorte, mas em outras ocasiões teve que ficar de pé no corredor. “A sala foi feita para 20 pessoas e habitualmente estão aqui 80”, repara Estevão Silva, 57 anos, residente em Alverca, enquanto aguarda a vez no corredor apoiado numa canadiana.Os utentes são unânimes em dizer que o edifício é bonito e arrojado, mas lamentam que tenha herdado alguns dos problemas do anterior centro de saúde. Vanessa, 25 anos, ocupa o canto do corredor, com o bebé de 18 meses ao colo. Chegou há duas horas e continua à espera de médico. Está habituada a encontrar a sala sobrelotada. “É o prato do dia”, garante.No piso inferior, onde a partir das 18h00 funciona o atendimento complementar, a situação é mais complicada. “Logo à noite a sala do piso de baixo transborda. Caem aqui todos os que ao longo do dia não encontraram solução”, garante Estevão Silva.Alguns utentes já apresentaram reclamações por causa da falta de espaço, que seguiram para o Ministério da Saúde, como confirmou ao nosso jornal o director do Centro de Saúde de Alverca, Ivo Rodrigues. Contactada pelo nosso jornal a Divisão de Apoio Técnico da Sub-região de Saúde de Lisboa refere que o congestionamento verificado nas salas de espera deve-se essencialmente ao “afluxo anormal de utentes motivado pelo surto de gripe”.A mesma fonte garante que estão a ser equacionadas medidas organizativas para minimizar os efeitos, adiantando que o alargamento de salas de espera é uma situação que será devidamente analisada.A presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, admite que houve um mau dimensionamento das salas de espera e confirma que a sub-região está disposta a corrigir o erro. “Não será muito difícil. Basta demolir uma parede e dar continuidade à sala de espera. Quanto melhor instalados estiverem os utentes menos deprimidos se sentirão”, refere a autarca.A obra do novo Centro de Saúde de Alverca, desenhada pelo arquitecto Barros Gomes, foi acompanhada pela Câmara Municipal de Vila Franca e financiada pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa. O equipamento serve cerca de 25 mil utentes.Ana Santiago

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