Sociedade | 25-02-2005 18:32

Centro de saúde mete água

Na Póvoa de Santa Iria ninguém percebe porque é que novo Centro de Saúde, construído na Quinta da Piedade, continua fechado. Quem ali passa fica com a ideia de que a obra está pronta. Os pormenores não justificam o atraso de quase um ano na entrega do equipamento. A Administração Regional de Saúde (ARS) já colocou vários equipamentos no local e está a pagar a uma empresa de segurança a vigilância do espaço 24 horas por dia. Nas paredes exteriores há já sinais de degradação e os espaços verdes estão secos e completamente destruídos. Consequências da não utilização do centro que está “quase pronto” desde abril de 2004. Já lá vão 10 meses. Utentes, médicos e funcionários continuam a partilhar instalações sem condições quando há um centro moderno de portas fechadas. “É uma vergonha. Têm aqui uma casa fechada e nós sem condições no outro centro”, critica João Sousa, um reformado que todos os dias olha para o centro na esperança de ver alguma novidade. Maria Eduarda Gomes também não aceita a situação e justifica os atrasos com politiquices. “Se calhar estiveram à espera das eleições para serem os novos ministros a virem cortar a fita. E nós é que sofremos com estas politiquices”, disse a jovem mãe que ainda na semana anterior teve de recorrer à urgência no Hospital de Vila Franca de Xira. “Podiam ter aqui um serviço de urgência. Evitávamos ter de ir para lá”, explica. O MIRANTE visitou o novo centro de saúde e constatou que não foi apenas o recurso apresentado por um dos sub-empreiteiros que atrasou a entrega da obra à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Há outros problemas na obra e no processo de colocação de equipamento e pessoal na unidade.Há infiltrações em vários gabinetes e nas garagens. As paredes brancas estão verdes e negras em alguns locais. E não tem chovido. Há trabalhos a mais por realizar e algumas correcções a fazer. Segundo o encarregado que estava na obra a acompanhar as intervenções pedidas ao construtor (a empresa Manuel Rodrigues Gouveia (MRG)), as correcções devem ficar prontas até ao final do mês. “Isto são os pormenores de todas as obras”, refere. Mas não se pense que a situação fica resolvida.A presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Ana Borja Santos disse que a obra só será aceite depois de corrigidas todas as anomalias de construção.O Centro de Saúde foi construído pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira num terreno cedido pela autarquia. A obra custou cerca de dois milhões de euros. A autarquia será ressarcida da verba investida depois da recepção da obra por parte da ARS.Guerra entre construtoresA Câmara Municipal de Vila Franca de Xira tem justificado o atraso com um recurso apresentado por um empresário que realizou uma das sub-empreitadas.A “guerra” entre construtores começou em Setembro quando um sub-empreiteiro denunciou o trabalho que o próprio realizou na colocação de betonilha no pavimento do centro de saúde. Segundo o vice-presidente da câmara, Simões Luís, o construtor alegou que o trabalho não foi realizado nas condições técnicas previstas e segundo o caderno de encargos. O sub-empreiteiro denunciou que o fez desta forma porque a empresa que lhe adjudicou a intervenção assim o exigiu. Depois de ter contactado o empreiteiro responsável pela obra, que garantiu que tudo estava correcto, a câmara foi confrontada com a insistência do denunciante. A autarquia pediu a intervenção do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEG), sugerida pelo sub-empreiteiro. Numa primeira vistoria, o técnico do LNEC apurou que as técnicas e os materiais foram aplicados correctamente. O responsável pela execução do trabalho não se conformou e exigiu nova vistoria.O vice-presidente da câmara disse a O MRANTE que estava prevista para quarta-feira, 23 de Fevereiro, uma reunião no centro de saúde com todas as partes envolvidas e os técnicos do LNEC. “Será para desfazer todas as dúvidas”, disse Simões Luís.O vice-presidente da câmara referiu a O MIRANTE que “caso se apure que não assiste razão” ao sub-empreiteiro ele será chamado à responsabilidade. “Há um conjunto de prejuízos para a câmara, para a ARS, para o empreiteiro e para a população, que está privada do centro de saúde, que têm de ser compensados”, disse.Segundo apurámos junto de fonte envolvida no processo na origem deste problema poderão estar desentendimentos entre o empreiteiro e o sub-empreiteiro que se reflectiram na forma como os trabalhos decorreram. O MIRANTE tentou falar com o sub-empreiteiro, mas tal não foi possível. Nelson Silva Lopes

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