Sociedade | 11-03-2005 18:31

Guerra aberta contra as roulottes

Uma bandeira portuguesa esvoaça sob a roulotte Lecas Bar, à beira da estrada, nos Casais da Caneira, perto de Alcoentre, concelho de Azambuja. Há um ano que o local é ponto de encontro de muitos viajantes e condutores de pesados de mercadorias que ali fazem diariamente uma pausa para um cachorro ou uma bifana.Este ano o proprietário da roulotte, José Agostinho, quis revalidar a licença, mas a câmara não concedeu o título. O vendedor não compreende a atitude da autarquia, até porque respeita todas as condições de higiene exigidas. Tem água canalizada, electricidade e arcas congeladoras separadas para os vários tipos de alimentos. “Gostava de saber porque razão não me passam a licença. Só queria ganhar a minha vida de forma honesta e legal”, desabafa.O estabelecimento de venda ambulante que funciona à beira da Estrada Nacional 366 é o único que possui licença válida, mas tem já os dias contados, tal como as outras duas roulottes instaladas mais à frente. A câmara municipal quer acabar com as vendas ambulantes por considerar que se tratam de estabelecimentos fixos e não móveis, já que estão sempre no mesmo sítio.José Agostinho explica que o seu estabelecimento só está fixo porque não tem possibilidade para levar o carro para casa. Foi por isso que alugou o terreno onde instalou o veículo.O vendedor era proprietário de uma padaria em Aveiras de Cima, até ser sujeito a uma intervenção cirúrgica que o obrigou a arranjar um trabalho mais leve. Como não conseguiu emprego lançou-se na aventura da roulotte. Agora vê-se mais uma vez à beira do desemprego com 45 anos e um filho de nove. “Andaram a anunciar que queriam dar milhares de empregos, mas estou a vê-los é a fazer o contrário”, queixa-se.Em frente à empresa de combustíveis CLC está instalada outra venda ambulante. No interior de um amplo barracão de madeira erguido há mais de sete anos vendem-se copos de vinho, fruta e legumes. A produção é toda caseira. A banca com chão de terra impecavelmente varrida é a única forma dos dois sócios e irmãos conseguirem escoar os produtos que cultivam em Aveiras de Cima. “O nosso sustento é a venda”, garante Elias Gaspar, 45 anos.O vereador José Manuel Pratas explicou ao nosso jornal que todos os proprietários já foram notificados e espera que em breve os vendedores abandonem a estrada, tal como fizeram os cinco anteriores.O autarca garante que a câmara não vai mudar de ideias até porque este tipo de comércio poderá prejudicar os proprietários de outros estabelecimentos fixos da zona.Ana Santiago

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