Sociedade | 19-03-2005 19:27

Jorge Sampaio defende comando único para os incêndios

O Presidente da República, Jorge Sampaio, retomou hoje, no Alto Alentejo, as preocupações com os incêndios florestais, defendendo um "comando único" para a coordenação das operações de prevenção e combate.

"É como costumo dizer aos militares. Quem comanda é o general e não se discute isso", afirmou Sampaio numa sessão solene no Cine- Teatro Francisco Ventura, em Gavião, no último de três dias de visita ao Norte Alentejano.O concelho de Gavião perdeu cerca de 70 por cento da sua mancha florestal na onda de incêndios de 2003, situação que levou hoje o Presidente a retomar o tema para reiterar a necessidade de coordenação na prevenção e combate, tal como o fizera sexta-feira em Nisa, outra das zonas mais afectadas pelas chamas."Tem de haver um comando único. Não é possível termos todos a coordenar ao mesmo tempo ou termos frequências de rádio que não se conjugam umas com as outras", advertiu Jorge Sampaio, alertando para a situação que poderá ocorrer no Verão, devido à seca extrema que fustiga o país."Já viram bem o que quatro meses de seca podem vir a dar em matéria de incêndios?", interrogou o Chefe de Estado, chamando a atenção para a necessidade de Portugal se "preparar, organizar, prevenir e aceitar a competência dos outros".Ainda evocando os "trágicos" incêndios florestais de 2003 e o problema do abandono da floresta, o Presidente da República lamentou que Portugal não tenha aproveitado todos os fundos de Bruxelas disponíveis para aplicar nesta área.Nesse sentido, apelou à simplificação burocrática, pela Administração Central e órgãos desconcentrados do Estado, em matéria de candidaturas relacionadas com o acesso a fundos disponíveis para o sector florestal."Por dificuldades burocráticas, de candidaturas, nós não utilizámos todos os fundos que estavam à nossa disposição relativos a 2003", disse.Atendendo a que "92 ou 93 por cento" da área florestal portuguesa pertence ao sector privado, Sampaio voltou a manifestar preocupações com a limpeza das florestas, como forma de prevenção dos incêndios."É um problema jurídico difícil, não tenham ilusões, porque se o sagrado direito de propriedade não é utilizado e fruído está a ser inimigo do outro interesse privado ao seu lado", disse.Neste capítulo, o Presidente defendeu a necessidade de serem encontradas soluções para o Estado poder intervir nas "propriedades privadas mais ou menos abandonadas".O último dia do périplo de Jorge Sampaio pelo Norte do Alentejo começou com uma visita às instalações de uma nova unidade fabril do sector corticeiro, a que se seguiu a apresentação do plano de ampliação da zona industrial de Gavião.Depois do lançamento da primeira pedra para a construção do lar de Idosos da Misericórdia de Gáfete, o Presidente visita a Casa- Museu Padre Belo e participa numa festa convívio com a população de Crato.

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