Sociedade | 07-03-2006 16:48

Juros de dívida camarária custam 40 mil euros por dia

Os vereadores de Santarém vão discutir amanhã um pacote de soluções financeiras para resolver a dívida do Município, que custa só em juros 40 mil euros por dia, revelou o presidente da Câmara, Francisco Moita Flores.No total, a Câmara tem uma dívida na ordem dos 80 milhões de euros mas estes valores de juros diários dizem respeito somente a um volume de 15 milhões a fornecedores que estão a cobrar juros à taxa de nove por cento, explicou, por seu turno, o vice-presidente da autarquia, Ramiro Matos.Ao final da tarde de ontem, uma equipa de consultores financeiros apresentou ao executivo as suas propostas para resolver os problemas de tesouraria existentes, regularizando o pagamento de 26 milhões de euros.Segundo Marco Carreira, da empresa FSCD, a Câmara de Santarém tem condições para resolver os problemas de gestão corrente se renegociar os créditos existentes, contrair um empréstimo de curto- prazo e antecipar receitas.Caso seja essa a opção do executivo municipal e se o volume de investimento for muito reduzido dentro de um "mínimo de dois a três anos", a autarquia terá os problemas de tesouraria resolvidos.Em particular, a equipa de consultores defende um novo empréstimo a curto-prazo de 1,2 milhões de euros a pagar até ao final do ano e a renegociação dos créditos com fornecedores no valor de dez milhões de euros, estabelecendo novos prazos de pagamento.Estas propostas incluem ainda a antecipação das receitas dos próximos 15 anos pagas pela EDP à autarquia pelo uso de solo e espaço aéreo do município que poderão permitir um encaixe financeiro de quase 20 milhões de euros.Para o consultor, a situação financeira da autarquia é semelhante a outros municípios do país, que não contam com "receitas próprias relevantes" nem têm autonomia financeira, ficando demasiado dependentes das verbas estatais e dos programas comunitários.Além destas propostas, o PSD, que possui apenas maioria relativa no executivo, está a renegociar os contratos de "factoring" com fornecedores, dilatando os prazos de pagamento e tenciona ainda iniciar os procedimentos para contrair um "leaseback" - operação financeira que envolve a cedência de património como garantia do empréstimo que pode ser executada em caso de não cumprimento.A proposta do PSD prevê a cedência de património para garantir um empréstimo de 17,5 milhões de euros, que poderá ser liquidado num "prazo a definir", conforme as propostas dos bancos, explicou Ramiro Matos.Na reunião, o consultor evitou pronunciar-se sobre o "leaseback", alegando que não lhe foi pedido para discutir essa questão, uma posição que foi vista pela vereadora da CDU, Luísa Mesquita, como um sinal de "falta de apoio" a essa proposta.No entanto, o vice-presidente da Câmara (PSD) reafirmou a intenção da maioria em promover essa operação caso as outras propostas não permitam aliviar a pressão existente na tesouraria.Os vereadores do PS e da CDU recusaram discutir estas propostas alegando que não tiveram tempo de analisar a documentação entregue na sexta-feira pelo que foi agendada a continuação da reunião para quarta-feira, às 17:00.Para Moita Flores, presidente da Câmara, esta posição dos eleitos da Oposição reflectem mais "posições formais do que substantivas", promovendo "novos adiamentos" que aumentam os encargos do município com juros elevados.

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