Sociedade | 17-03-2006 07:37

Mais 3 anos de pris

O Tribunal de Benavente condenou um homem de 29 anos a três anos de prisão por furto. Bruno Manaia, conhecido como “artista do furto”, residente em Samora Correia, estava acusado de 11 crimes de furto e falsificação, mas o colectivo de juízes só provou um crime de furto simples e outro de furto qualificado.O pedido de indemnização cível no valor de 10300 euros feito por um homem a quem Bruno alegadamente furtou um BMW, que foi recuperado depois de danificado, foi recusado pelo tribunal.O acórdão foi lido na quinta-feira, 9 de Março, sem a presença do arguido que se encontra preso há ano e meio há luz de outro processo. Algumas das vítimas que ficaram sem telemóveis, dinheiro, e outros objectos de valor, ficaram surpreendidos com a “leveza da pena”. “Esperava mais. Eu pergunto: se perdesse a cabeça e o agredisse, o que me acontecia?”, questionou um dos queixosos.Bruno Alexandre Manaia Nunes tem 13 condenações por furto e falsificação e aguarda ainda a conclusão de vários processos onde é arguido. “´´É um dos melhores clientes dos tribunais”, comentou uma das vítimas.O arguido remeteu-se ao silêncio durante todo o julgamento e só no final afirmou que foi a droga que motivou o seu comportamento. Bruno Manaia disse que depois de perder a confiança dos pais, começou a procurar estratégias para alimentar o vício. Algumas das vítimas das investidas deste artista do furto e da burla, descreveram-no como sendo um rapaz “com discurso fluído, bem vestido e com bom aspecto”.Normalmente, Bruno Manaia dirigia-se a empresas e preenchia fichas para se candidatar a um emprego, depois aproveitava a distracção dos funcionários para se apoderar dos bens.Na sede da Companhia das Lezírias, em Samora Correia, Bruno Manaia preencheu uma ficha com dados falsos e na volta apanhou a chave do carro do contínuo da empresa e levou-o para espanto de vários funcionários. O dono da viatura ainda viu passar o carro à sua frente, mas pensou que seria um familiar que o conduzia. Foi a 23 de Junho de 2004. O carro apareceu, mês e meio depois, estacionado em Lisboa. O proprietário referiu que no interior tinha 840 euros e milhares de quotas dos Bombeiros de Samora Correia que afirmou não ter recuperado.Numa empresa de formação, Manaia, alegadamente, furtou um retro-projector e um vídeo. Quando carregou os equipamentos, o homem deixou a carteira com os documentos em cima de uma secretária. Depois ainda se deu ao luxo de ir buscar a carteira à empresa. Tinha lá a GNR à sua espera. O arguido confessou o furto e devolveu o retro-projector, mas, segundo o gestor da empresa, o vídeo não foi recuperado.Apesar da longa lista de vítimas, Manaia foi absolvido de sete crimes de furto qualificado e dois crimes de falsificação de documentos. O cúmulo de três anos de prisão foi feito com base numa condenação a 20 meses de prisão por furto simples e dois anos e meio de prisão por um crime de furto qualificado.Comprador de telemóvel foi absolvidoO homem que comprou um dos telemóveis furtados por Bruno Manaia foi absolvido. O crime de receptação implica que o comprador saiba que o objecto que adquire foi adquirido de forma ilícita e o Tribunal não provou que o arguido soubesse que o telemóvel tinha sido furtado. A juíza presidente Hermínia Oliveira alertou o arguido para o risco do seu acto. “Desta vez correu bem, mas o senhor sabe que há lojas oficias para compra de telemóveis. Senão quer chatices…”, concluiu a magistrada na leitura do acórdão.Nelson Silva Lopes

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