Sociedade | 12-04-2006 17:53

Ponte interdita a deficientes motores

Elvira Fonseca empurra a cadeira de rodas do marido com alguma dificuldade. António é um homem corpulento e as forças vão faltando à esposa porque, como diz, a idade não perdoa. Mesmo assim, Elvira tenta dar algum conforto ao marido, vítima de um AVC há cerca de três anos, quanto mais não seja passeando-o pela cidade. Foi por isso que num dia de sol de final de Março Elvira decidiu levar o marido até ao jardim do Mouchão Parque, em Tomar.Contava com a nova ponte pedonal para atravessar o rio Nabão. Subiu a rampa de acesso mas quando chegou ao outro lado da ponte um tapume de metal tapava o acesso à rampa situada na outra margem do rio. Sem alternativa – descer uma dezena de degraus era impensável - Elvira teve de voltar para trás e dar uma volta de meio quilómetro para alcançar a outra margem. “Isto é brincar com as pessoas” diz a mulher, que não deixa tirar fotografias “porque não quer a sua desgraça no jornal”.Elvira não foi a primeira vítima da ponte. Rita Conde tem por hábito dar um passeio com o filho no jardim de Tomar mas já evita a travessia da ponte. Por não estar na disposição de descer o lance de escadas com o carrinho de bebé de “braçado”.A O MIRANTE a jovem mãe garantiu já ter visto deficientes motores a subirem a rampa do Mouchão Parque e a voltarem depois para trás, devido à falta de acesso do outro lado.“Pelo menos a câmara podia pôr um aviso neste lado da ponte”, diz a moradora no concelho, referindo-se à rampa de acesso a deficientes do lado do Mouchão Parque.Salientando que desse modo se evitavam transtornos aos deficientes motores, Rita tece ainda críticas à forma como o acesso foi construído. A rampa fica no sentido oposto às escadas e tem de se andar cerca de 50 metros para aceder a ela.Do outro lado do parque acontece a mesma coisa. As escadas, do lado direito, dão acesso imediato ao parque de merendas, enquanto a rampa desce ao longo da margem no sentido inverso, desembocando junto ao estádio municipal.É exactamente por causa das obras na envolvência do estádio que o acesso à rampa da margem esquerda do rio Nabão foi tapado com um tapume.Obras que, de acordo com um elemento da Atkins, empresa de consultadoria responsável pelos projectos do Polis de Tomar, deverão estar finalizadas no final deste mês.“O prazo para conclusão da obra da envolvente ao estádio termina a 30 de Abril”, diz João Saramago, adiantando que “tudo indica que nessa altura se retire o tapume”.Em relação aos constrangimentos que a situação tem acarretado para alguns munícipes, João Saramago preferiu não fazer comentários, adiantando que a obra é da câmara.

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