Sociedade | 11-05-2006 13:19

Uma tonelada de alimentos em mau estado apreendidos em Fátima

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu esta quarta-feira uma tonelada de bens alimentares em mau estado numa fiscalização a quatrocentos estabelecimentos hoteleiros de restauração em Fátima, a poucos dias da Peregrinação de Maio ao Santuário.Na operação, foram fechados dez estabelecimentos - vários restaurantes, uma cozinha de um hotel e uma residencial -, disse à Agência Lusa fonte da ASAE , acrescentando que os bens alimentares apreendidos foram principalmente peixe, carne e outros bens frescos. Segundo a mesma fonte, foram envolvidas nesta operação 157 elementos distribuídos por 57 brigadas que estiveram em 388 estabelecimentos, tendo fiscalizado 20 toneladas de alimentos.Esta operação levou à instauração de processos de contra-ordenação a 203 estabelecimentos com 371 autos passados pelas respectivas autoridades.O balanço desta operação leva a ASAE a concluir que mais de metade dos estabelecimentos fiscalizados (52 por cento) não cumpre algum dos parâmetros impostos por lei, seja a conservação de alimentos ou licenças de funcionamento.A maior parte dos autos de contra-ordenação estão relacionados com má conservação dos alimentos, deficiente "sistema de autocontrolo dos géneros alimentícios", em matérias de arrumação, manutenção e conservação dos produtos.Foram também detectadas deficiências em questões tão diversas como condições técnicos-funcionais, requisitos legais para géneros alimentícios, livro de reclamações, afixação de preços, licenciamento, formação específica na área alimentar, cadastro comercial ou condições sanitárias.A operação durou uma semana , tendo motivado vários protestos dos empresários que temem prejuízos nas vésperas da Peregrinação de Maio, que tem início sexta-feira."Eles exigem-nos muita coisa que para nós é desnecessária", considerou Natália Neves, do hotel Alecrim, que critica a oportunidade desta acção fiscalizadora."Nós fomos avisados pela nossa associação da vinda dos fiscais mas estas visitas têm de ser feitas noutros meses, fora destas enchentes", considerou esta empresária.Posição semelhante manifestou outro hoteleiro de Fátima, que criticou as "exigências disparatadas" dos fiscais, considerando que nas vésperas de grandes peregrinações "é impossível cumprir todas as regras"."Os hotéis estão lotados e algumas dessas exigências nem preocupam os peregrinos que querem é ir ao Santuário", afirmou este empresário, que não se quis identificar por temer "represálias" por parte das autoridades.António Reis, proprietário de um café-restaurante, considerou que estas inspecções devem ocorrer precisamente nos períodos de maior afluência de peregrinos a Fátima mas os inspectores devem ser "mais despachados" para "não prejudicar a actividade comercial"."No meu caso, tive de fechar a porta para atender aos pedidos dos senhores inspectores e isso fica-me muito caro, principalmente nestes dias em que se vende mais qualquer coisa", desabafou António Reis.

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