Sociedade | 12-05-2006 16:06

Julgamento de inspector da PJ adiado para Junho

O Tribunal de Tomar adiou hoje para Junho a continuação do julgamento de um inspector da Polícia Judiciária (PJ) acusado de ofensas corporais agravadas sobre um recluso evadido que ficou paraplégico por causa de um disparo.Hoje de manhã estava prevista a visita ao local onde o polícia disparou sobre o evadido, que estava desarmado, mas o juiz do processo ordenou novas peritagens médicas, adiando a sessão para o dia 02 de Junho, às 10:00.Na sessão anterior, o arguido, José Reis Mota, contrariou a versão do queixoso e a acusação do Ministério Público, sustentando que o evadido ficou consciente e mexeu-se depois do tiro, procurando agredir os inspectores, e terá sido nessa ocasião que sofreu danos irreversíveis na coluna vertebral.O inspector aposentado da PJ alegou que a vítima o agrediu e depois fugiu enquanto fingia sacar de uma arma escondida. Perante essa ameaça e o risco do recluso se colocar de novo a monte, Reis Mota disparou, mas garante que visou somente as pernas da vítima.No entanto, o tiro acabou por atingir a coluna, causando-lhe a paralisia dos membros inferiores.O inspector, da Direcção da Lisboa da PJ, negou também ter tido intenção de causar este tipo de ferimentos na vítima e garante ter cumprido as regras definidas para este tipo de perseguições.O arguido é acusado pelo Ministério Público do crime de ofensas corporais agravadas por negligência (punível até oito anos de prisão).O caso sucedeu a 11 de Novembro de 2003 e o inspector fazia parte de um grupo de três elementos da PJ que foram chamados a Tomar para deter Paulo Godinho, um recluso condenado por assalto com arrombamento que não regressou a casa após uma saída precária da prisão de Leiria, a 10 de Outubro.Os polícias identificaram o recluso numa casa abandonada perto do bairro do Património dos Pobres de Tomar e surpreenderam-no numa das divisões.A vítima, agora com 32 anos, saltou de uma janela e foi detido pelo arguido que garante tê-lo avisado que era inspector da PJ e que possuía um mandado de captura por estar evadido da prisão."Com o cartão na mão esquerda, arma na mão direita, gritei 'Polícia Judiciária'", recordou Reis Mota.Por seu turno, a vítima alegou que os inspectores nunca se identificaram e pensando que o queriam matar decidiu tentar a fuga, tendo para isso simulado que iria agredir o inspector.Já o arguido explicou que "não houve simulação, mas sim um murro" que originou um confronto físico entre os dois homens até que o queixoso fugiu e tentou sair do terreno onde estava para outras vielas do bairro.Na versão do queixoso, o polícia disparou três tiros pelas costas quando tentava fugir, um dos quais o atingiu na coluna e provocou a perda de sentidos.Reis Mota afiançou que disparou primeiro um tiro para o ar como forma de intimidação e um segundo no decurso do rápido confronto físico entre os dois.Paulo Godinho, que já cumpriu a pena pela qual fora condenado em 2001, possui cadastro por outros crimes, entre os quais falsificação de cheques e tráfico de estupefacientes, pelo que era considerado um indivíduo perigoso que poderia ter na sua posse algum tipo de arma de fogo, o que não se veio a verificar.Além deste caso, está em análise um pedido cível de 200 mil euros de indemnizações que o advogado do queixoso quer que sejam assumidos solidariamente pelo arguido e pelo Estado.

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