Sociedade | 14-05-2006 10:10

Saúde dos bombeiros investigada em estudo

Uma equipa de profissionais do Hospital Amadora-Sintra inicia este domingo uma investigação inédita sobre os riscos da exposição ao fumo na saúde dos 40 mil bombeiros voluntários portugueses, avançou à Lusa um dos membros do grupo.A mentora do projecto, a chefe de serviço de pneumonologia desta unidade de Saúde, Cecília Longo, salientou à Lusa que, actualmente, apenas os bombeiros profissionais são vigiados no que toca aos danos para a saúde que resultam da exposição ao fumo."Há 40 mil homens, que são o corpo da urgência e da luta contra os incêndios do país, que não são vigiados do ponto de vista da saúde", lamentou a especialista.O estudo, que arranca simbolicamente hoje no âmbito da Iª Conferência Nacional sobre a Saúde do Bombeiro, que se realiza em Oeiras, visa testar inicialmente a função respiratória dos bombeiros voluntários e, posteriormente, os factores cardiovasculares.As corporações da região metropolitana de Lisboa serão as primeiras a ser estudadas e Cecília Longo espera que o financiamento que o projecto venha a receber permita o seu alargamento aos restantes profissionais do país.Até à data, o principal apoio financeiro proveio de câmaras municipais e de uma empresa farmacêutica, "mas são necessários mais fundos", aduziu.Além de Cecília Longo, a equipa de investigação agrega mais um pneumonologista, uma médica interna e um consultor de comunicação, todos do Hospital Amadora-Sintra.Embora não existam estudos epidemiológicos sobre a prevalência de problemas respiratórios ou cardiovasculares em bombeiros portugueses, "estudos internacionais indicam que há mais problemas [nestas áreas] nestes profissionais do que na população em geral", explicitou a clínica.A longo prazo, a inalação do fumo é susceptível de diminuir a capacidade respiratória destas pessoas, que poderão vir a sofrer, nomeadamente, de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), adiantou Cecília Longo, que criticou também que os bombeiros não sejam "considerados uma profissão de risco, o que vai contra todos os estudos internacionais".Além do risco inerente à actividade, o facto de muitos bombeiros voluntários usarem os sistemas de apoio à respiração em incêndios urbanos, mas não nos rurais, "porque muitas vezes é incómodo", contribui para uma maior exposição ao fumo."Há que pedir aos fornecedores de materiais que os adaptem a utilizações por longos períodos", instou a médica, que referiu também a necessidade de uma maior formação dos bombeiros voluntários para evitar situações como a não utilização de máscaras e luvas no auxílio a pessoas acidentadas."Se os bombeiros não se protegerem adequadamente, têm um maior risco" de contrair hepatite B ou a infecção pelo VIH do que a população em geral, alertou Cecília Longo.O Verão de 2005 em Portugal foi dramático em número de incêndios, que queimaram uma área de 255.920 hectares, quase o dobro do total registado em 2004, de acordo com a Direcção-Geral de Recursos Florestais.O distrito mais afectado pelos incêndios foi Coimbra, com 46.812 hectares ardidos, seguindo-se Vila Real (29.967 hectares) e Santarém, (26.357).

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